Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

MINHA POESIA IMPURA

Minha poesia é impura
retraída
Não tem nada de excepcional
É um mal. Para mim necessária
Até a acho meia otária
Quando se retém diante de panelas literárias
Ou quando pensa nos cânones
Nos grandes nomes
Nos grandes estetas do País
Como se só estes fossem “poetas”
Mas ela logo se recupera
E sai por aí falando besteira
Rimando tudo em ar
Rimando amor e dor
Como se fosse isso a última novidade

Minha poesia é impura
Só bebe em fonte contaminada
Só se identifica com poeta maldito
Ao erudito despreza
Prefere a reza d’um cantador nordestino
Respira São Paulo
Nasce na jusante do Rio Tietê
Tropeça em mendigo
Em criança explorada no semáforo

Minha poesia é impura
Solidária solitária
Não tem guru ou leitor assíduo
É uma nódoa no brim
Flexível como o bambuzal
Não cabe num soneto
Quadrinha sextilha
E nem na rigidez de um cordel
Enfim não é nada
Mas expressa o quer
Como der e puder e vier

As vezes nem sei o que é
Um desabafo/ desacato
É um cutucar fera com letra pouca
Um escrever reto com idéias tortas
Um trem fora das linhas
rilhando por aí, assim:
Em desafio, por desfastio
Para não entalar na garganta
Desentoxicar-se
Desencanto
Enfim, um canto solo.
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 17/07/2006
Reeditado em 17/07/2006
Código do texto: T195817

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Célio Pires de Araujo). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
1075 textos (32933 leituras)
2 e-livros (236 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 22:15)