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O (TRISTE FIM) DO CASAMENTO DE DADÁ

Em uma cidade do interior da Bahia havia uma família que morava em uma das melhores casas.  Estilo antigo, com muitas janelas e portas bem trabalhadas, jardins na frente e pomar nos fundos.

Essa era uma das famílias bem conceituadas do local.

Dadá era filha única dessa dita família.

Os dias foram passando, passando e Dadá se tornou uma moça.  Mas, coitada, não tinha um comportamento normal.  Era bastante diferente das jovens da época.

Mas, eis que um dia lhe aparece um rapaz querendo namorá-la.  Foi um Deus nos acuda na família.

Meu Deus, Dadá está namorando !

Virgem Santa comadre Adélia, que faço?  Ora comadre, Dadá já está uma moça feita, quem sabe se ela não toma juizo, se chegar a casar.   Será comadre?

Olhe comadre Sofia, já vi muita moça igual a Dadá tomar jeito depois do casamento.  Sei não, sei não, comadre Adélia.

Entre preocupada e feliz, lá se vai a comadre subindo a ladeira da rua das pedrinhas até chegar em seu casarão, que ficava na rua principal onde ficava a igreja matriz e a praça.

Lá se ia Dona Sofia ofegante, com seu busto volumoso, as cadeiras a balançar, muito bem vestida e se abanando com o lenço, pois o calor era grande.

E assim, dia a dia, Dadá continuava namorando com o jovem Otávio que já queria marcar o casamento.

Depois de marcarem a data, começou o movimento na casa grande.  Era comadre chegando para ajudar que não acabava mais.  O casarão brilhava, o vestido da noiva era coisa de primeiro mundo.  Tudo pronto.

Chega o dia, Dadá toda amuada, pois os sapatos lhe incomodavam, o vestido comprido também.  Tudo lhe incomodava, pois seu costume era andar descalça, cabelos assanhados e roupas bem folgadas e de repente se via toda arrumada.  Tudo isso lhe trazia um grande tormento.

Todos lá se foram caminhando para a igreja.  Convidados que não acabavam mais.  Seu pai, um senhor já idoso, levava Dadá com alívio para casar.  Dona Sofia estava feliz.  Graças a Deus Dadá ia casar.  Lá se foram todos felizes e curiosos para verem Dadá passar vestida de noiva.

Tudo estava dentro dos conformes, casamento feito, enfim, Dadá casada.

Vamos à festa.

A grande sala se encheu, os músicos a tocar, a mesa bem preparada com a ajuda da comadre Adélia, que não estava presente, mais mandou suas duas filhas para a festa e a recomendação de se comportarem bem.

A música, o falatório das pessoas,  foram deixando Dadá impaciente.  As crianças a mexerem com ela, tudo a irritou.
De repente, Dadá arrancou o véu, tirou os sapatos e começou a rasgar o vestido.  Foi um sufoco.  Ela avançou no bolo e foi partindo com as mãos.  Os convidados invadiram a mesa, a bebida derramando no assoalho, que antes brilhava como um espelho, agora era só sujeira.

As filhas de comadre Adélia ficaram lá no cantinho sem se mexerem.  Para completar, Dadá começou a botar todo mundo pra fora.
Dona Sofia, mão no peito e outra na cabeça em tempo de despencar no chão, boca aberta e olhos esbugalhados, dizia, Meu Deus,  bem que eu dizia a comadre Adélia que Dadá ficou louca !
As filhas da comadre não comeram nada, dizia Dona Sofia.  Colocou nas mãos das meninas um pedaço de bolo que mais parecia uma farofa de bolo.
E Dadá ria, ria, ria.
E Dona Sofia, dizia, Meu Deus, Dadá ficou louca !

(Esta estória foi verídica, contada por uma grande amiga)

KARMEM MARTINS
Enviado por KARMEM MARTINS em 19/07/2006
Reeditado em 19/07/2006
Código do texto: T197235
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Sobre a autora
KARMEM MARTINS
Recife - Pernambuco - Brasil
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KARMEM MARTINS