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A atriz e eu

Há algum tempo conheci este espaço e o venho usando sempre que sobra um tempinho. Pois bem, hoje me lembrei de uma história que aconteceu comigo há bastante tempo.
Tenho um primo que é ator. Então, ele sempre freqüentou muitas festas etc e tal. E numa dessas ocasiões, ele me chamou para ir com ele a uma festa no Flamengo (bairro da Zona Sul daqui do Rio).
Antes de subirmos ao apartamento da tal festa, compramos uma garrafa de vinho branco em uma loja. "É de praxe nessas ocasiões", meu primo disse. E rumamos para a festa.
Lá chegando, notei que havia pouca luz, algumas pessoas esparramadas pelo chão da sala, outras na sacada do apartamento. Havia mais mulher do que homem, aliás, aquela festa não estava muito boa pro sexo feminino, isto é, desde que o sexo feminino estivesse interessado em alguma coisa mais carnal com o sexo oposto.
Meu primo, despachado como ele só, foi logo arrumando uma gatinha e indo para um canto. Eu, um verdadeiro estranho no ninho (ali só tinha artista, o pessoal de teatro, essas coisas), fiquei por algum tempo só observando. Devo ter ficado não mais que 10, 15 minutos nessa situação, até que uma garota veio me perguntar se eu estava a fim de conhecer a amiga dela, que estava na cozinha. Nem sei se respondi, não me lembro, mas a tal garota foi puxando o meu braço até a cozinha, onde conheci a sua amiga. Era bonita, mas nada de especial. Possuía olhos claros, um pouco puxados, bochechas salientes, corpo com curvas, talvez 18, 20 anos, não mais que isso, creio eu.
A menina dos olhos puxados me mostrou todos os dentes da boca quando ficamos sozinhos na cozinha. Realmente ela parecia bastante simpática, falava sobre a peça que estava fazendo, outra que estava ensaiando, um possível papel (pequeno, mas um papel) num possível filme etc e tal. Ela jogava o seu corpo em cima do meu, chegava às vezes a sussurar no meu ouvido (sem aparente necessidade, pois estávamos, repito, sozinhos na cozinha, e a música quase não chegava até nós), até que me lascou um beijo na boca. E como foi bom aquele beijo! Não via a hora de tê-la em um local mais reservado do que a cozinha daquele apartamento.
Ela, então, me perguntou:
_E aí, o que você faz?
_Ah, eu trabalho e estudo.
_Trabalha com teatro, cinema ou televisão?
_Sou bancário.
_Bancário? Mas você estuda o quê? Artes cênicas?
_Medicina veterinária.
_Você tá me falando que você é bancário e faz veterinária?
_É. Por quê?
_Puxa, a sua vida deve ser um saco!
Fiquei com tanta raiva da garota que acabei dizendo algo que acabou com a nossa possível noite de amor:
_Olha, menina, eu vivo a realidade, não fico fantasiando algo que não sou, não fico brincando de "eu te amo", "eu te odeio" e esperando que alguém me aplauda no final.
Pois é, depois saí da cozinha e voltei pra sala, onde fiquei por mais algum tempo naquele ambiente desconhecido. Meu primo já havia "resolvido a sua situação com a sua garota" e me chamou pra irmos embora.
Não me lembro do nome da menina, não sei se ela está em alguma novela, mesmo porque não acompanho novelas (nada contra, apenas não gosto de novelas, da mesma forma que não gosto de feijão e banana). Minha reação talvez tenha sido abrupta, talvez até mesmo infantil, mas até hoje não consigo entender esse modo de "ser superior" que alguns artistas possuem. Talvez se eu tivesse tido mais paciência, eu até pudesse ter tido uma noite maravilhosa com aquela menina...


Eduardo Martínez
Enviado por Eduardo Martínez em 21/07/2006
Código do texto: T198725
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Sobre o autor
Eduardo Martínez
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
14 textos (1456 leituras)
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Eduardo Martínez