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O Inspetô biato 

Lá pur vorta dos ano setenta eu trabalhava no Bank Brasil numa cidade do interiô do Pernambuco, quági no final daquela tira do dito istado.

Nóis, bancaro, morava numa pensão da Dona Ixpedita, prumode qui era mai barata, pra sobrá dinhêro pras cachaça.

Di vêis im quando chegava um inspetô no banco, pra vê si num tinha neguim misturando o dinhêro dele cum o do banco ô fazendo coqué coisa errada e aquela otoridade mitia um medo danado narrente!

Pôco dispôis dele tá lá, si achegô pra eu e dixe: você aí! Fuma?
- Fumo, má si o sinhô quisé eu dêxo! Dixe logo aquilo pra mostrá respeito pro homi.
- Eu só quero um cigarro... arrespondeu o chefe, o qui mi dexô todo incabulado.

O inspetô era diferente di todos os ôtro qui nóis conhecia, apôis qui gostava de fazê cúpi a tardinha e, adispôis, lá pras seis hora da tarde ia pra missa.

Aquele rituá deferente chamava logo a atenção do pessoá: Inspetô católico! Intonce deve sê um cara legal e num vai incomodá muito arrente não! Assim imaginô logo a cambada toda de negim inrresponsávi...

Certa vêis, quando tava a turma toda jantando (era um magote duns oito) numas quatro mesa incangada umas nas ôtra, sendo qui a do homi ficava separada da ralé e um pôco mai adiante, um colega do banco, sabendo qui eu era mêi dismantelado e qui era do Juazêro do Norte, terra di meu Padim Pádi Ciço, oiô pra eu e sapecô a pergunta, só pra vê o ispanto qui ia causá no inspetô biato:

- Ô Roméro! tu qui é lá do Juazêro, tira aqui uma dúvida darrente:
Dixe qui a estauta do Pádi Ciço qui fica lá inriba da Serra do Hôrto, lá no Juá, médi uns trinta metro de artura! É mêrmo verdade, sô?

Oiêi mêi prus lado e vi qui o “inspa” já tava cum as ôiça impé, só pur uvir o nomi do “santo”. Mi arripiêi todo... Mai cuma eu tinha tumado umas e ôtra di apiritivo, arrespondí:

- Bem... a artura certa eu num sei não. Agora digem pur lá qui só pra fazê as duas bola da estauta si gastô-si mai de cinqüenta saco de cimento!

Atu cutinu, o homi se alevantô da mesa; num quis mai a janta e saiu resmungano do refetóro.

Num precisava nem dizê qui no dia siguinte levei aquele cagaço do inspetô e ainda pur cima o causo foi resistrado na minha “má-fé de ofiço”, cum tinta vermêia qui fica pra sempre e qui isso, junto cum ôtras trapaiada qui fiz no banco, marcô e cumplicô a minha carrêra nos vinte e poucos ano qui passei naquele banco.


NOTA DO AUTOR: História baseada em fatos reais.


Robério Matos
Enviado por Robério Matos em 28/07/2006
Reeditado em 24/10/2006
Código do texto: T204215

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Sobre o autor
Robério Matos
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 64 anos
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Robério Matos