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ESTA MOLEQUE DANADO

Tendo crescido em um sítio na zona rural de Sabará-MG, minha infância, embora pobre, foi muito rica em brincadeiras, venturas e desventuras com meus irmãos e a molecada de minha época. Cheguei a escrever alguns versos sobre estas brincadeiras...

Eu já roubei amora no quintal da vizinha
depois joguei fora porque lá em casa tinha
já fui Pelé, marquei um gol de placa
já tive bicho de pé, cortei o dedo com faca...
já nadei pelado sem minha mão deixar
fui até castigado mas eu voltei a nadar
chupei jabitucaba com casca e semente
senão esta danada ia encalhar a gente...
 
E por aí vai.

Mas de todas as lembranças, a que tenho mais viva na memória  não é das mais doces. Eu e meu irmão, Joel, apanhávamnos todos os dias do meu pai. Era um "côro"  como ele dizia, de deixar vergões. Na verdade eram surras merecidas, a gente "era o benedito", mas surra, toda criança sabe disso, nem merecida presta. Assim, eu e meu irmão, tivemos a idéia de passar um susto no velho. Consistia no seguinte: 

Quando ele fosse bater na gente, um de nós fingiria que estava desmaiando, para ver qual seria a reação dele.

Tiramos par-ou-ímpar para ver quem fingiria o desmaio. Escolhi ímpar, esperei ele mostrar dois dedos e estiquei um . Ganhei! Ele fingiria.

Uma semana depois, após perceber duas telhas quebradas no telhado do moínho, lá veio o meu pai querendo saber quem foi o culpado. Eu tinha certeza que não fora eu, Joel jurava que não fora ele e, ai... surra pros dois. Pra minha sorte, meu pai pegou Joel primeiro, tapa daqui, palmada dali, Joel revirou o branco dos olhos, amoleceu todo como um boneco de pano e se deixou esparramar pelo chão. Meu pai, contudo, não se deixou tocar por esse gesto de agonia. Dirigiu-se para o pé de pêssego e enquanto quebrava uma vara exclamou.

Ah, é? Tá morrendo? Pois vai acabar de morrer, espera aí!

Enqanto meu pai quebrou a vara, Joel recuperou-se repentinamente do desmaio, quebrou três esquinas e só voltou à noite para dormir.

Eu, é claro, apanhei pro dois.

Mas a "carreira que Joel aprontou enquanto meu pai quebrava a vara, nunca mais esqueci. Parece que foi ontem.

silasol
Enviado por silasol em 06/08/2006
Reeditado em 11/08/2006
Código do texto: T210497

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Sobre o autor
silasol
Sabará - Minas Gerais - Brasil, 65 anos
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