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Desejo

        "Quelle âme est sans défauts?" - Rimbaud

Hoje não chorei,
A natureza o fez por mim.
Ou pensas que aquela chuva ardente,
Que desceu de um céu rubro e solene
Foi obra natural?

Não faz mal....
Apenas sei.

Vivo num mundo paralelo,
Tão perfeito e inacabado,
Habitado apenas por mim.

Não sou egoísta, fui enclausurado.
Dentro da perfeição, aprisionado.

Sou a rosa,
Que a distância fez bela,
E não viu-lhe os espinhos.
Que guarda na maciez,
Na beleza, no perfume
De suas pétalas a ânsia,
Fogo de salvação ou perdição...

São mistérios ocultos,
Aos ouvidos incultos.

Saiba apenas que foi por minha vontade,
Que não tive coragem,
Que fiz o céu faze-lo.
Dei-lhe o sombrio medo,
De um furor rubro negro
Que encobriu o mais belo azul...

Que entre sussurros e estardalhaços
O vento frio bateu em meu rosto
E em vez de cálidas lágrimas
Despejei gelidas correntes,
Aljofres de dor e lamento,
Acolhidos no seio da Terra.

Não foi o medo!
Foi a longiqua aproximação
E a repentina deserção...

Espero apenas sorrir,
E aos campos, vê-los florir.

Foi-se o belo,
Veio o novo,
           Igual ao que era antes...

Espero apenas, na virtude e na maledicência
Que os ventos que favoráveis me forem
Não me tomem tempo em pavores.

Que nestas minhas andanças,
De ritmo, luz, som e dança,
Serás a pérola de minhas lembranças.

Ev
Enviado por Ev em 11/08/2006
Código do texto: T213934
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Sobre o autor
Ev
São José - Santa Catarina - Brasil, 29 anos
56 textos (2760 leituras)
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