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Águas do Ventre do Rio de Janeiro

Deus pode até ter criado
Como espelhos do céu os mares e lagos
Mas a Baía de Guanabara Ele escolheu
Para refletir, no topo do Corcovado,
A grande imagem do filho Seu!

Talvez por isso e por sua geometria,
Semelhante a um feminino ventre
provavelmente inspirada no da Virgem Maria,
A baía é portadora dessas águas,
Para mim, tão inspiradoras...

Quero que afogue meus poros, deite-me em mim
Num fundo respirar em seu ventre inspirador
Nessa manhã ainda pouco aquecida
Onde o concreto da ponte fez-se transbordar
No céu e nesse espelho, o mar, seus tons de cinza...

Assim escuto as águas sussurando
A angústia dos beiros fortes
Que tem a sorte de belas visões da baía,
Mas não podem pecorrê-las e nem sentí-las

Elas também sussurram sobre nevoeiros,
Que ao contrário dos beiros fortes
Estão em todo o lugar e por isso,
Em lugar algum, nem em si mesmos...

E no reflexo dessa grandeza
Me vem diversas lembranças
De homens nevoeiros e outros fortalezas...

Mas tem algo que não é sussurro, é grito
Talvez vindo das águas
Ou até mesmo um eco da imagem de Cristo
"Tolo é o homem que polui a baía!"
Mas até nisso ela me inspira:
"A baía está combinando sua sujeira
Com a sujeira da alma do homem que está a sua beira!
Inclusive dessa tão familiar que agora se encara!"
E só um pensamento resta
Com o grito tornando-se flecha:
"Como essa baía no reflexo desmascara
Tão caro é encarar-se nela
Quanto tão pobre for a alma refletida...
E sendo assim que o reflexo Dele no Corcovado
Fique junto nas águas com nossos reflexos deformados
E continue me inspirando na baía
Nesses reflexos todos de todos os dias..."
Augusto Sapienza
Enviado por Augusto Sapienza em 15/08/2006
Código do texto: T217381

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Sobre o autor
Augusto Sapienza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
52 textos (2158 leituras)
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