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CABRA-CEGA


Jogue-se de olhos vendados
Adivinhe quem está do seu lado
Finja conhecer sem ver
Finja até esquecer
Que o jogo já vem acabado
Perdido

Uma cabra-cega na beira do penhasco
Confiante e andando
Adiante, cantando
Ignorante da regra maior
Da rede da dor
Que só a quer chorando

Ajoelhe-se de olhos vendados
Perceba os punhos amarrados
Atinja metas sem querer
Cresça sem saber
Que os jogos já vêm quebrados
Que os olhos já vêem furados
Distorcidos

Uma criança rebelde na beira do penhasco
Saltitante e gritando
Sorridente, correndo
Carente, sofrendo
Inocente, escondendo
A dor que dizem ser melhor
A cegueira que vem se estabelecendo
A cabra-cega da vida
Com a barriga doendo
Alex Steinhorst
Enviado por Alex Steinhorst em 16/08/2006
Código do texto: T218267
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Sobre o autor
Alex Steinhorst
Cachoeirinha - Rio Grande do Sul - Brasil, 31 anos
24 textos (748 leituras)
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Alex Steinhorst