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ALMA NUA
 
 
 
Abri as portas do meu coração
e deixei que seu amor
por ele adentrasse e ramificasse.
Com minh'alma moldada à sua
semeei sonhos ao longo da jornada...
Reguei-os com puras emoções,
ceifei espinhos
aguardando a colheita certa,
da eterna felicidade.
 
Tendo sido cativada,
despi tristezas e descrenças.
Esculpi meu corpo, para que nele
o seu encaixasse de forma perfeita,
sem frestas ou arestas...
Colhi palavras orvalhadas
pelo vento da madrugada
e alimentei os sentimentos
sorvendo cada instante-momento
como se fosse sopro da existência,
perpetuei sua presença
e sublimei nosso amor num templo mágico...
 
Meus olhos não perceberam
que a magia não mais o encantava
e que silenciosamente se afastava...
Caminhos bifurcados,
corpos calados, paixão em verso mudo...
Naufraguei no cineral do mundo,
onde pensei ser tudo!
 
Absorvo a fumaça de um tempo irreal,
ilógico e puramente material.
Asfixiada, percebo ter viajado 
numa fantasia, que só em mim existia.
Cega, como todo ser enamorado
não percebi que amei sozinha...
 
Dos sonhos semeados
hoje colho pétalas soltas,
folhas mortas da raiz sem vida.
Sou árvore ressequida,
onde brotam saudades suas...
Pranteia em noites de solidão,
uma solitária alma nua...
 
 
 
03/01/2006
 
Anna Peralva
Enviado por Anna Peralva em 19/08/2006
Reeditado em 07/01/2013
Código do texto: T220549
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Anna Peralva
São Gonçalo - Rio de Janeiro - Brasil
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3 e-livros (572 leituras)
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Anna Peralva