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J A N G A D E I R O


O barulho das ondas o desperta

Abre os olhos, sacode a cabeça

Empurra o lençol, a sua coberta

Tem de sair, antes que amanheça

Sai da choça , cabelos ao vento

Tem de arriscar a ganhar o pão

Esse é sempre o atroz pensamento

Na palhoça fica a familia, sua paixão

Vai de encontro ao azul do mar

Puxa , arrasta a antiga jangada

Logo singra sobre as ondas, pescar

A rede lançar, vela de vento lufada

Arrisca pra mais longe experimentar

Peixes, seu único sustento sagrado

Cada dia mais difícil, mas tem de tentar

Os bichinhos cada dia mais pescado,

Pela poluição, se não tá estragado,

tá minguado.

É valente, é teimoso ,

Crente e esperancoso

Reza zeloso.

Quem sabe Deus ajuda

Pedro era pescador

Jesus, de todos, o maior

Quem sabe um cardume de barracuda

Tainhas e pescadas, um cento por favor

Dificuldades na tiragem de fazer suor.

Ter a satisfação de outra vez o caixote encher

Levar pra feira uma boa tantada

Alegrar os amigos e assim se satisfazer

No bulicho pagar algumas, outra, dependurada

Nova esperança a assanhar a consciência

Tem que manter a santa paciência

Crer no criador, não pôs a gente no mundo pra sofrer

Apenas para da experiência, sempre aprender.

Vento bate forte, a água ouriça

Sua montaria geme e sacode

Range e afroxa, com força, sem preguiça

Apruma pra praia, oh! Diacho, isso num pode.

Ajeita o pano carcomido, em bagaço

Se aguentar, chego inteiro

Em lugar tranquilo, me acho

Dos jangaderos, sou o primeiro.

Maré baixa, fácil arrastar a embarcação

Tô em casa, agora é só satisfação.

Manhã de luta, boa pescaria

É só agradecer a Virgem Maria.

Uma sentida e breve oração

O agradecimento com devoção !


GDaun
Enviado por GDaun em 20/08/2006
Reeditado em 01/10/2006
Código do texto: T220830

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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