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DE COMO REGISTRAR O ANDEJAR DO TEMPO

Moisés Menezes tem sido um renovador da poesia rio-grandense. Dos poucos que apareceram nos últimos tempos. Homem de estirpe interiorana, culto e estudioso, sabe que não basta apenas inventiva e criatividade para produzir um verso, um poema de nível.

Menezes tem tanta consciência disto que escreveu um belo e instigante livro intitulado "Das margens do Nilo às barrancas do Uruguai – uma viagem pela geografia do verso –", publicado em 1998, do qual está pintando por aí uma segunda edição, possivelmente sob o patrocínio do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – IGTF. Nesta obra fica patente que virou pesquisador desde muito jovem. E nunca abre mão de que não há, a rigor, diferenciação de níveis entre a poesia universalista e a regionalista.

Tenho lido seus artigos sobre tal. Há, sim, no seu entender, diferença de temática e de linguagem, vocábulos com roupagem divorciada do linguajar culto, castiço. Em vez de indumentária de gala, como ocorre na poesia culta, na regionalista rio-grandense a palavra no verso vem pilchada, cheirando a campo e matungo.

Mas ele sabe, como um dia disse Leon Tostoi e tantos outros, na historiografia, que aquele que canta sua aldeia canta o mundo. Mas ele tem ido mais longe. Com o talento que lhe é próprio, peculiar, tem feito verso com o resultado de suas pesquisas. Seus personagens têm voz própria. Falam por si, com defeitos e virtudes. Humanos como convém aos que sofrem vivências.

Menezes cunha a moeda do regionalismo com o mesmo fervor que os Cavaleiros da Távola Redonda fizeram a Idade Média européia. Sabe que está fazendo o relato poético da história de seu povo e de sua gente. Pega o seu alaúde e vai contando de reino em reino.

O seu verso é um dos melhores do Rio Grande do século XXI, porque é a mescla e a ótica de quem sabe que é preciso fugir da mesmice. E é forçoso se assinalar que uma ponchada de jovens intérpretes vem popularizando a sua obra poética. Assisti a isto nos rodeios e nos salões campeiros do Mato Grosso do Sul. Agora talentos musicais estão lhe dar guarida. É o que provam verso e músicas congeminadas neste CD.
Relata-se a vida e o que existe de novo nestes estranhos tempos de contrastes tão naturais aos inícios de século. Como de antes, música e o verso viajam de a cavalo rumo à história do século XXI.

– Apresentação para o novo CD de músicas e poemas de Moisés Silveira de Menezes, Coronel PM, poeta e pesquisador gaúcho.

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006 / 2007.
http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/221475
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 21/08/2006
Reeditado em 25/04/2008
Código do texto: T221475
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709611 leituras)
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Joaquim Moncks