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Moribundo


Descaso ao meu verso
tanto abraço e nada causa?
Apenas o descanso do moribundo,
que deita em amassada folha
sonhando com filé de frango, cobertor e um  teto.

Abraço o moribundo
no seu mundo traço um verso,
de pranto e injustiça;
verso gritado, com nó na garganta
declamo sem descanso o verso engasgado.

Descaso eu fiz
ao sonhador moribundo,
primeira estrofe egoísta
versos não enchem barriga,
mas denunciam a dor e o fracasso.

Dentro desse compasso
salta aos olhos o moribundo,
acorda e lê os meus versos,
declama-o com sorrisos na boca,
poucos versos de amor eterno.

Transeuntes passam,
ouvem o moribundo e aplaudem,
ele canta com emoção;
ganha uns trocados nas mãos,
versos meus lhe deram o pão.

Hoje vive na pensão
sempre com papel na mão,
escreve versos e canção;
já tem teto e cobertor
e come frango com feijão.

Cantador nas praças,
nas ruas e avenidas;
todos conhecem os versos
do moribundo José
que passa os dias com a poesia.

Meus versos abraçaram José
que um dia na folha amassada dormia,
sonhou palavras sem saber,
acordou em sintonia
Leu meus versos - agora é poesia.
Pupila
Enviado por Pupila em 23/01/2005
Reeditado em 26/09/2010
Código do texto: T2239
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Pupila
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Pupila