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Flexão de alcova

O que são as noites frias
Se não alcovitados sonhos desaquecidos
Esquecidos por uma lei que a mim mesmo
não me fiz promulgar?

Ateu da saudade não creio em adeus
Vou até logo sem retornar ao que é sempre
Sinto ter, como o ar nos pulmões,
O amor que é tua festa,
A preencher de luz meus salões

O mundo rodopia como um bêbado alegre
Enquanto dou um giro pela meia cidade
Nas sombras das dúvidas, o que me assombra
é a falta de silêncio nos rádios desligados,
nas conversas avessas, no ludibrio desgastado,
nos fantasmas pintados, no barulho dos bancos desocupados,
no fundo de um grito comum perdido,
no labirinto da mesma saudade

Antes do sono, penso ser vivo
No despertar mais perto estou da morte
De meu espaço sou autor
Nos meus passos sou ator
Canto o quanto tenho pra cantar

A quem posso dizer o que digo sem temer?
Somos rodas dentadas velocidades desiguais
Busca inútil sopro dos ais
Sento-me a beira de meus pensamentos
Balanço meus pés indiferente ao perigo
Tenho-me comigo
Sou uma idéia de mim mesmo
Como um sonho onde me sonhei acordado
leandro Soriano
Enviado por leandro Soriano em 24/08/2006
Reeditado em 05/09/2006
Código do texto: T224559
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Sobre o autor
leandro Soriano
Santos - São Paulo - Brasil, 59 anos
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leandro Soriano