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A minha historia de amor - Leiam, porfavor



Estou apenas escrevendo para contar, de uma maneira bem intima, o que um dia irei mostrar para muitos. Nem hoje, nem amanha, mas algum dia. Essa historia de amor não será descoberta detalhadamente por ninguém. Pelo menos até eu ter certeza de que esse sentimento não exista mais dentro do meu coração.
Eu tenho 14 anos, estudo numa escola particular, não vou citar nomes, para não ter pessoas envolvidas. No inicio do ano passado eu conheci um homem muito legal, no começo, senti uma atração por ele. Ele era muito mais velho que eu, e eu, já havia vivido essa experiência duas vezes, não queria me afundar de novo. Mas dessa vez, foi diferente, eu conheci ele. Eu realmente conheci aquele professor. Escrever aqui, me é difícil, tenho muito medo de alguém ler, mas continuando. Aquele professor era muitas coisas que eu queria pra mim, aquele clássico príncipe encantado, inteligente, legal, engraçado... Muitas garotas não entendiam o meu sentimento por ele, quer dizer, ele não era nenhum Tom Cruise, mas ele era muito charmoso, e para mim, era o único que bastava para fazer o ritmo do meu coração acelerar.
Depois de um tempo aquela atração ficou maior, até um ponto que eu podia dizer que estava gostando dele, daquele homem que entra na sala com ar de poder, ou que tenta pelo menos. Daquele homem com conhecimentos avançados em ciências sociais, que tentava distribuí-los para nós, meros alunos. Ele nos informou que a palavra “professor” quer dizer “ser com luz” e “aluno”, “ser sem luz”. Nesse caso, ele tentava transmitir alguns dos seus conhecimentos para nós, seres sem luz. Aquele homem, meu Deus, que simplesmente com o seu olhar conseguia (e consegue) fazer meu corpo parar, minha respiração aumentar e minha testa transpirar. Eu não conseguia entender porque me olhava diferente, algumas amigas minhas repararam nisso, estranharam, mas logo se acostumaram. Aquele olhar era tão doce, aquelas palavras tão afetuosas, que confundiam a minha cabeça.
Com o tempo, era impossível não nos tornarmos amigos, tínhamos muitos interesses em comum, desde a sua própria matéria a livros e escritores. Conversávamos sobre vários assuntos, mesmo quando a minha cabeça latejava e não saiam palavras da minha boca.
Quando eu simplesmente “travava” nada mais importava do que seu olhar fixo no meu. Durante segundos, ou até minutos.
No seu aniversario, que era uma sexta, quinta era o ultimo dia que iria vê-lo até depois do seu aniversario. Nesse dia, tínhamos um teste para fazer, o fiz, depois ao ir embora, virei, com a mão apertando com força a maçaneta e disse: Feliz aniversario adiantado.
Ele me olhou surpreso, depois de uns cinco segundos sorriu e disse um simples, afetuoso e envergonhado “obrigado”. Fui embora, depois, algumas amigas minhas comentaram que aquilo havia sido estranho, o meu tom de voz me delatou, eu estava apaixonada por ele e todos da sala já haviam percebido.  Não conseguia mais dormir, só tentando aceitar o fato de estar perdidamente apaixonada. O medo que eu tinha que ele tivesse percebido, que ele risse de mim nas minhas costas era tão grande...
No final de outubro, a sala ia viajar, e eu não tinha certeza se ele ia junto. Até um dia que quando estava passando ao lado dele ele comentou alto: Quem vai para a viajem? Já que eu estava do lado fui a primeira a responder que ia. Ele me olhou, para variar durante alguns segundos e perguntou se era verdade, eu respondi que sim, então mais um sorriso encantador se abriu naquela face.
Do dia primeiro ao terceiro de novembro percebi que ele era muito alem do que eu pensara ou imaginara. Ele tinha realmente os mesmos gostos que eu, nossos signos se complementam, fizemos brincadeiras juntos. Percebi até que ele me achava bonita, ou linda, não sei. Quando perguntei como ficaria com um piercing no nariz, ele respondeu: “Ficaria linda”. Com aquele sorriso que congelava e esquentava meu corpo. O que ele queria? Fazer-me passar vergonha? Não, porque com certeza a vergonha que ele passou depois de perceber que disse aquilo, também foi bem grande. Claro, alguns dias depois eu fiz o piercing que há um ano já me atormentava com a duvida de fazer ou não.
Esses dois dias de viajem foram inimagináveis, as horas na sauna conversando, rindo. As duas horas que passamos conversando no ônibus. As horas que passamos fora da festa porque nós dois não gostamos de funk. As horas que eu tropecei e cai na frente dele, com um simples “oi” ao lado da piscina, eu fui capaz de dar de cara no chão. Claro, a resposta dele a isso, foi primeiramente de preocupação, me perguntou se estava tudo bem, eu respondi que sim. Ai então, ele disse: “Foi à emoção não foi?” Com um sorriso de quem queria agregar humor à situação. Não consegui me conter, eu estava totalmente envergonhada, mas disfarcei rindo e me jogando na piscina.
Essa viajem só serviu para aumentar o meu sentimento, mesmo que ninguém soubesse (suspeitassem apenas) eu estava totalmente perdida, imaginando coisas que eu devia saber que jamais aconteceriam.
No ultimo dia de prova, na ultima vez que veria ele até o final do verão (eu tinha absoluta certeza que conseguiria esquecê-lo até lá) eu conversei um pouco com ele na hora da prova, depois, ele me disse boas férias.
Sei que foi um simples “boas férias”, mas o meu coração parecia ter se partido ao meio de tanta dor.
Passaram-se as férias, mas o meu coração não estava livre, conheci muitos garotos, fiquei com alguns. Eu contei que namorei duas vezes durante essa paixão?  Nada me fez esquecer ele, acho que esses namoros não deram certo por causa disso, meu coração não estava vazio.
No primeiro dia depois das férias foi uma cena de novela, realmente, eu estava sentada num banco com uma amiga, quando ele se aproximou lentamente de nós. Olhou para mim alguns segundos, falou “Oi!” Muito feliz, eu estava totalmente despedaçada, nada daquilo que esperava que fosse acontecer aconteceu, ainda amava ele, mais do que eu podia imaginar. Perguntei das férias, ele disse que trabalhou muito, perguntou se eu tinha viajado ou ido a praia... Por alguma razão, ele parecia envergonhado, olhava para baixo como se estivesse escondendo algo, a minha amiga também percebeu. Depois ele se lembrou dela e lhe disse um simpático “bom dia”.
A partir dali, eu percebi a realidade, ele não daria mais aula pra nós, eu ficaria sem ele, aquilo pra mim era igual a perceber que meu coração iria sofrer um transplante e eu ficaria sem ele por muito tempo.
Após vários lindos, românticos e fracassados encontros e desencontros eu não conseguia mais pensar em outra coisa sem ser nele. Nos esbarroes que ocorria entre a gente, nos minutos que nos olhávamos, seus olhos muito perto dos meus, sua boca, perto da minha. Houve muitas bobagens que eu falei, como uma quando alguém comentou que o cabelo dele estava diferente, não sei de onde tirei a palavra barba, mas eu falei: “Você fica muito bem de barba”. Ele subitamente se virou, olhou pra mim e disse: “Você acha?”, como quem estivesse feliz com o elogio. Então eu não me contive e falei outra coisa que não devia: “E sem também...” já com a cabeça baixa e vermelha de tanta vergonha. Então ele agradeceu, e eu fui embora.
Eu estava cansada de não fazer nada, do meu coração se desgastar desse jeito, quando ele me abraçava sem motivo, pegava na minha mão e demonstrava carinho e admiração... Tudo era tão difícil pra mim, que eu não sabia mais o que fazer.
Então comecei a pegar frases de amor de autores que nós dois gostávamos, e mandava como torpedo para o celular dele. Ele não sabe ainda como eu consegui o numero, e isso, ainda é segredo de estado. Não posso ter certeza que ele sabe da existência dessas mensagens, mas eu sei que é o celular dele, pois eu já liguei algumas vezes para ouvir a voz dele. Mas logo depois de um tempo parei de ligar, tinha que respeitar a sua privacidade.
Além do mais, um dia ele me ligou da casa dele (foi assim que eu descobri o telefone de lá) e quando eu atendi, ele perguntou quem era, todo simpático, eu percebi, na hora que era ele. Congelei, percebi que ele devia ter visto as mensagens de “Feliz natal” ou “Feliz ano novo” e quis saber quem era. Na hora que congelei, desliguei o telefone.
Talvez não, mas acho que ele reconheceu meu “Alô”, porque senão teria voltado a ligar até descobrir quem era não?
Ele não respondera nenhuma mensagem, também o que eu queria? A única coisa que eu ganhava nesse relacionamento era sonhar com ele contra a minha vontade, sonhar com os beijos dele que só pioravam a minha situação. E é claro, alguns abraços, beijos na face. O que eu esperava afinal? Uma linda historia de amor? Talvez eu até esperasse, lá no fundo eu esperava. É tão triste saber que sempre se iludira, eu não sei o que há com ele, porque ele faz isso comigo se ele sabe que eu o amo, porque continua me tratando tão bem? Claro que se ele não me tratasse bem eu não sei o que eu faria.
Até hoje, há um ano e meio que o conheço, sinto uma ferida muito grande no coração, um amor muito grande reprimido. Continuamos com essa rotina de nos olhar, sorrir, cumprimentar, abraçar... Se pelo menos ele tivesse essa relação com todas as outras ex-alunas dele, mas não tem. O destino tem me pegado algumas peças, ele sempre arma de nós deixar a sós, ou esbarrarmos um com o outro, ou até de infelizmente a nossa professora não poder comparecer e ele ser o nosso substituto. E essas coisas aumentaram desde que eu decidi esquecê-lo, tirar ele da minha cabeça, do meu coração.
Essa é a minha historia, a minha tristeza, a minha felicidade, o meu paraíso, o meu inferno. Esse é o maior amor que qualquer coração solitário possa agüentar. Eu sei que muitos de vocês queriam que esta historia terminasse bem, com um lindo beijo tirado de um filme romântico. Mas isso não aconteceu, até hoje, o meu amor continua reprimido, porem não será assim para sempre.
Amor, penso até que nos conhecemos de outras vidas, posso ter sido feliz ao seu lado pelo menos uma vez. Se eu fui ingênua o suficiente para cair nesse amor sem destino, foi porque eu era (ou sou) fraca. Não podia ver alguém como você, alguém que tivesse tantas qualidades que me deslumbravam, alguém que eu sentia me abraçando nas noites frias. Sem me afundar de vez nisso. E queria que você soubesse, que o dia em que eu te neguei um sorriso, um dos dias mais profundos que a minha alma já pressentiu, era o dia que mais precisava de um sorriso seu. Esse dia, talvez, se não tivesses a minha procura com o olhar, se não tivesses aberto aquele seu lindo sorriso, talvez meu coração estivesse livre de você, ou mais aberto para sorrir, respirar, e até mesmo amar.
       Sou muito fraca, não sou nem forte suficiente para te tirar de dentro de mim, mas acredite na minha promessa:
Um dia eu ainda conseguirei te esquecer, e nesse dia, talvez, você irá ler junto com muitas pessoas a minha historia de amor, que talvez, você nem lembre.
Essa é mais uma promessa, que nem a promessa que eu fiz de te procurar daqui a cinco anos, já que irei me mudar no começo do ano que vem, para outro país. Daqui a cinco anos estarei de volta para te reencontrar, e dizer pra você, nos seus olhos, o que eu nao tive coragem de dizer. Nesse dia, nesse encontro, muitas idéias se clarearam. Muitas duvidas serão respondidas. Desde o mais simpático “Oi” ao mais carinhoso abraço.

Ao ler, porfavor comentem, aceito criticas =)
Matilde GCB
Enviado por Matilde GCB em 25/08/2006
Código do texto: T225273
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Sobre a autora
Matilde GCB
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 25 anos
28 textos (2404 leituras)
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Matilde GCB