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Cinzas

                        Cinzas





Refugiei-me de mim
Correndo as cortinas da memória
Vagueando no vácuo obscuro
De uma existência riscada da história.
Deixei a infância
Ignorada algures numa sebenta
De folhas amarelecidas num Outono infindável
Das quais se foi sumindo
O carvão das letras.
Desprezei as buscas expedicionárias
Da adolescência curiosa e irrequieta.
Varri os espasmos do reconhecimento do corpo,
E da lembrança,
Os tremores das namoradas igualmente inexperientes.
Esqueci que houve alegrias e pequenas glórias pessoais
E naturalmente,
Grandes dissabores em momentos cruciais.
Consternado,
Retirei os cartazes identificadores do meu eu
Secadas as nascentes das vontades magnânimas
Tudo consumi na fogueira do tempo
E as minhas cinzas perder-se-ão no sopro do vento.



Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 28/08/2006
Código do texto: T227482

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