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A Vaca da minha Mãe

Lá vem ela...
Quadrúpede ungulada!
Que raiva

Pastar lhe convém
Irracionalidade lhe cai bem
Lá vai ela...

Desengonçada, grotesca!
Que desgraça

Animal útil de animalesca ignorância!
É mãe leiteira e literalmente uma vaca.

Alimenta-se da grama
Aquele favo verde abundante e sem gosto
Que se fosse um decente prato
Não seria tecnicamente um ser ungulado

Esta é a vaca...
Da minha mãe!

Ser indolatrável, dotada de ignorância...
Tenho desapreço, desapego, desespero
Quando mugi asneiras
O pior dos teus defeitos é regurgitar
Não te satisfaz ingerir injúrias
Tens ainda que mastigar as calúnias

Bicho estúpido, limitado!
Para viver precisa de espaço e solidão...
Pasto vasto da mesma maldição:
Incompreensão

Animal sem graça
Conhece apenas a capacidade de existir
E ainda berra por obrigação.

Lá vai ela...
Espécie sedentária, mal amada!

Preciso da metáfora para mal dizer
Preciso da revolta para sobreviver
Porque lá vem ela...
A vaca da minha mãe.
Gita Habiba
Enviado por Gita Habiba em 30/08/2006
Código do texto: T228716

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Sobre a autora
Gita Habiba
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 39 anos
305 textos (101388 leituras)
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Gita Habiba