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Grilhões da Racionalidade

A existência prescinde de algo que a valorize, que a especifique, tudo é tão denotativo e formal! O vácuo está envolto em cada conceito abstrato que concebemos e impomos a nós mesmos..."Não há alternativa é a única opção, unir o otimismo da vontade e opessimismo dá razão...". Acontece que o fato de que a vida não tem significado nenhum já é um pressuposto para que ela seja também livre e gratuíta, então morremos, enfim...

Grilhões da Racionalidade

Abortaram-se todas as certezas
Verdades áridas e intangíveis
Mas os vácuos residem impassíveis
E o podre latente
Ou como muitos preferem - "vida"
Continua resistente
Impassível e indelével
(Ainda que ausente)

Vacuidades - as existências
Vidas - as inexistentes
Mortes - as instantâneas
E sempre o mesmo nihil
Negando todas as morais laicas
Afirmando que a vida
Não paga nem o empréstimo
De nossa insana razão

A racionalidade se reduz
ao senso comum e a tudo que mente
A metafísica indigesta do otimismo aprendido
E o que é que vem a ser o senso-comum?
O que são todas essas subjetividades ávidas de alívio imediato?

A racionalidade forja os grilhões
E estes não são mais que
peças fantasmagóricas e imaginárias.
O prelúdio dos grilhões da racionalidade é a submissão
As massas compactadas
Mortas pela exaustão de toda uma existência alienada, inexistente.

Escorrendo para o vácuo
Apontando para o absurdo
E bradam: "Eis o caminho!"
"Aqui depositamos toda a pretensão de nossa trascendente ignorância!"
"Este é´o hausto de sabedoria!"

Mais nada que provenha de tais grilhões
Pode ser tido como sábio
Ou de conhecimento considerável, ao menos
Eu ataco visceralmente todos os sábios
Fartos de sua própria "sabedoria"
Insípidos obsolescentes!
Eu ataco toda dialética e psicologia do senso comum
Presunçosamente ignorante e esperançosa
Sempre a humildade, a eterna submissão/servidão voluntárias
A verdades e certezas  feitas e impostas
A esperaaça pálida e manca!
A carne está infestada de vermes
(Para quê?)
(Até quando?)

Não precisamos escolher o fim
 - um fim -
Que não passa de mais um escape
Não precisamos escolher a sentença ou dar o veredicto
A vida encerra tudo isto!
Numa dor pungente, serena e sóbria
De certezas feitas e impostas
Cravadas na impossibilidade do ser

Existe o vácuo
Objetivo
Subjetivo
E a ferida virulenta
Que pulsa frenéticamente
 - os delicados conhecem-na por "vida" -

Esse amontoado  de abstrações
Verdades concebidas
Frases feitas
Um pouco de humor (negro)
Um pouco de inteligência (ridículo)
Um pouco de emoção (patético)
E depois, queda!
Uma existência ávida
Pelo abismo mais ermo e profundo
Hora suprema!
Hora real!
O corpo fica doce, vibra!
O fôlego que nos sustêm precipita-se
Queda
Queda
Queda
Enfim

Morte.
Campanário
Enviado por Campanário em 14/09/2006
Código do texto: T240203
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Campanário
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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