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FILIGRANAS


A brisa vem a passeio
no jardim em frente à casa.
A brisa falando à tarde,
a tarde falando à brisa.
A gente aqui na sacada
repara a brisa a passeio.

       Muitas crianças brincando,
       um casal de namorados...
       Meninos descontraídos
       botando arraia a subir.
       Dois vagabundos andando,
       sentado a um canto um mendigo.

      O pai... - só pode ser pai! -
      Um homem empurra o carro
      de uma criança de colo,
      tendo a mulher ao seu lado.
      Olham os dois um garoto
      que roda de velocípede.

      A noite vem devagar
      cobrindo a face das coisas
      e engole a tarde sem pressa.
      Acende-se a luz elétrica
      que espanta os dois namorados...
      O pai recolhe a família.

A gente aqui na sacada,
não vê ninguém mais na rua,
a não ser os vagabundos
e o cabisbaixo mendigo
que se aproximam da noite,
qual se a noite fosse sua.

         A brisa falando à noite,
         a noite falando à brisa
         e se afundando no tempo.
         O mendigo e os vagabundos
         na praça que está deserta
         dos que têm onde abrigar-se.

         A gente aqui na sacada...
         O mendigo e os vagabundos
         se aproximam da marquise
         para abrigar-se da noite.

         A noite, Deus, por que noite,
          se há mendigo e vagabundo?...
João Justiniano
Enviado por João Justiniano em 16/09/2006
Código do texto: T241412

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Sobre o autor
João Justiniano
Salvador - Bahia - Brasil, 96 anos
619 textos (19599 leituras)
13 e-livros (1027 leituras)
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João Justiniano