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Gangorra

Não sei a paz que me faz
tentar seguir adiante,
quando no mesmo instante
o que desejo é parar.

E outra vez começar
a não ficar, prosseguir,
pra logo depois desistir
de andar, de ir longe demais.

    Quero e não quero a distância.
    Nego e desejo o aconchego.
    Preciso de algum sossego,
    mas dessa bagunça também.

    E quando a hora me vem
    de decidir o que faço,
    logo me encolho e me abraço
    pra sufocar minha ânsia.

Quero encharcar o meu dia
de uma tristeza sem fim.
Mas logo acho dentro de mim
uma alegria invencível.

Penso no quanto é impossível
viver essa vida inconstante:
de um lado o clamor radiante,
de outro a maior nostalgia.

    Mas não adianta fugir.
    Me invadir já não posso.
    Sei que não passo de um troço
    que não entendo ou explico.

    Por isso é que eu suplico:
    não me permitam pensar,
    não me permitam falar.
    Só quero o meu elixir.


Rio, 01/05/2005
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 18/09/2006
Reeditado em 18/09/2006
Código do texto: T242900

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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