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OLHOS NOS OLHOS

Pobreza...
Quem são os pobres?
Não somos todos e cada um de nós que famintos de verdade,
procuramos quebrar os grilhões da finitude que nos toca de perto?

Miséria...
Quem são os miseráveis?
Não são todos aqueles que por esta ou aquela “razão”
foram jogados na sarjeta da vida, sem que o tempo os acudisse jamais?

Olho os montes!
Barracos em ruelas escuras e escorregadias.
Olho atento e observo: meninos sambudos, moleques matreiros,
às vezes perambulando por ai...
Mas o que é isso meu Deus?!
São os ninhos do nada;
São os tiros nas escadas;
São daqueles que um dia também foram guris.
Aprenderam violência:
pobre não é nada; gente amontoada...
Polícia armada e mau encarada que mata por matar...

São as noites da favela...
Barracos imundos e bem lá no fundo,
corações e almas que Deus criou.
É gente como agente se queres entender...
É pele, é osso, é gente sem gosto pela vida
que não lhes deixam viver.

Querem saber mais?
Vêem aos montes carros luxentos;
Pessoas ofegantes onde o dinheiro corre além.
O que quer essa gente grã-fina aos pés dos meninos sutis?
Já sei! Querem o pó da morte;
uma grama de sorte para uma viagem qualquer.
Será que retornam à favela?...
Mas que favela?
Não vivem escusos em seus próprios palácios humanos?
E no entanto se escondem do medo da vida...
Também são coisas perdidas,
já nem sabem quem são.
E somem curtindo seus erros de outrora,
restando-lhes somente a dura solidão.

Aqui é favela: feia, enorme e surja;
Barracos sem nomes, agonias de dor.
Prantos e corpos estendidos pelo chão.
Mas aqui não só tem misérias;
Tem gente que canta e dança,
que chora e sente vontade de viver.
Aqui, sim, tem marginais:
são aqueles que foram empurrados
para a margem do não existir.
Aqui tem muito mais...
Tem vidas errantes com vontade e sede de mudança.
Tem algo esperança;
tem busca, tem lembrança,
tem recomeçar...
Também tem quem vê além das aparências
Porque não cerraram os olhos para a finitude que o faz soluçar.

Ah! Como tudo é diferente
quando se olha com um olhar de fé,
como se fora o olhar de Deus!
Sim, vê-se o limite,
mas nele persiste a vontade de vencer.
De vencer a própria sorte;
Pois a vida vence a morte.
Porque com Deus é assim:
Não há situações limites;
há limites e situações que precisam ser vencidos.
Aliás, podemos dizer: quer na vida quer na morte,
A mão de Deus aí está,
porque Deus se faz presente em todo e qualquer lugar
onde existe o humano e até mesmo o não humano,
pois tudo Ele criou e nada há que fuja de Si.

Não crês isto? Um dia, chamado eternidade,
olharás em meus olhos e dirás, que de fato,
Eu tinha razão!
Frei Fernando Maria
Enviado por Frei Fernando Maria em 18/09/2006
Código do texto: T243168
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Frei Fernando Maria
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 57 anos
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Frei Fernando Maria

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