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Ode ao "boia fria"*

Jorge Linhaça


Nem o sol se ergueu ainda no horizonte.
e já sais, célere, para a tua lida inclemente;
esperas o ônibus do "gato" , suportas o afronte;
mas trabalhas, de sol a sol, incansávelemente.


Tuas roupas de lida, são quase que farrapos;
judiadas no afã de fazeres mil e uma colheitas.
Teu próprio corpo, se confunde aos trapos;
alquebrado, ao fim da jornada , chegas e deitas.


Sonhas dias melhores , sonhas respeito, dignidade,
sonhas não ver o pesadêlo das panelas vazias;
sonhas o sonho de uma sonhada igualdade.


Despertas na noite, acabou-se a tua utopia...
enches a garrafa de café, a tristeza te invade;
voltas à realidade cruel da vida de "boia fria".




* Boia-fria, é o nome que se dá ao trabalhador rural,
que durante a sazonal colheita, leva consigo uma marmita,
comida durante o dia, na própria lavoura, sem ter onde
aquece-la. comem portanto a comida ( boia) fria.


 
Jorge Linhaça
Enviado por Jorge Linhaça em 29/09/2006
Reeditado em 24/04/2012
Código do texto: T252569
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jorge Linhaça
Salvador - Bahia - Brasil, 55 anos
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95 áudios (13093 audições)
1 e-livros (277 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 22:35)
Jorge Linhaça