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Frescas e Curtas

                        Frescas e Curtas







Enquanto no justo remanso dos horários calendarizados
Parte da comunidade dorme
Há desenlaces entre grupos ou em espíritos solitários
Que perturbam a cidade.

A Rita do mercado perdoou o namorado
Abandonada entre os seus braços
Sente nos seios o ardor do apaixonado
Suspeitando que o amor dele
Ruiria a um questionário mais ousado
Gosta de o ter colado a si
Como um potro selvagem dominado
Mas sabe que depois de saciado
Ele abalará noutro galope desenfreado.

Não muito distante dali
Um amor feliz mutuamente recompensado
Suspira em modestos lençóis lavados
Que até o mais fino cetim
Sente inveja de não ter em si estendidas
Aquelas almas afortunadas.

Gritos escapam-se da intimidade de um lar
A briga monta de tom em algazarra descontrolada
Os insultos soltam-se das bocas zangadas
Num zénite de agressão ao qual nem o físico escapa
A face negra das relações humanas está irada
Quando arribar a calmaria
Talvez dos destroços restem pedaços
Para construir nova jangada.

Numa outra esquina da madrugada
Estilhaços de vidro quebram o silêncio forçado
Num assalto de pilha-galinhas desorganizado
Cujo resultado pouco rende aos larápios
Mas é prejuízo avultado para o pequeno proprietário.

São destas e de outras frescas e curtas
Que se escrevem as crónicas dos diários.



Moisés Salgado

alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 08/10/2006
Código do texto: T259352

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