Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Glândula


Querem que eu escarre um poema
Querem que eu vomite um verso
Me pedem que defeque uma estrofe
Me pedem que peide um soneto

Querem a urina metrada
E que eu sue melódico
Me pedem o pus imagético
E a bile em coma de inspiração
Me escrevem eu arroto a tradução
Enquanto o olhar coagula
E o tártaro meus dentes banguela
Quando recito querem cera e remela
Que tussa uma rima e babe uma forma ( fonema )
Espirre – esparrame a essência.

Mas o meu gozo
Só eu posso declamar

A poesia é uma glândula da alma
Não da ciência
Secreta e excreta
Sonhos , Medos , Delírios , Desejos , Pensares , Vaidades
E outra coisa qualquer
Que exceda dentro dela

Meus oito mil tentáculos se calam
Tomados pelo escárnio




Ritual
Enviado por Ritual em 11/10/2006
Código do texto: T261909
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Ritual
São Paulo - São Paulo - Brasil
92 textos (2222 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 16:40)
Ritual