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Descrição de um dia qualquer

Range a porta num entra e sai de gente.
A dobradiça enferrujada faz um barulho infernal.
Nem no inferno o barulho seria tão irritante...
Ou estaria enganado ao pensar assim...
Jasmim, querubim, enfim,
tudo rima com assim...
e sendo assim levo aos bocados
o dicionário que minha mente comporta.
Porta? A porta range outra vez.
É um entra e sai, sai e entra.
No computador o mundo conectado,
o telefone ocupado...
no quarto o som com o rock mais pesado.
Sigo ao modo do professor
tendo ganchos na poesia.
_Isso enriquece! - ele dizia.
Há minutos atrás o telefone tocou.
Era pra mim. Disse que era uma amiga.
Amiga que nada! Beijo aquela boca todos os dias.
Deixe-me explicar: É minha namorada...
mas diz que é amiga...
diz que é um jeito de encher o saco.
Saco, baralho, intacto...
estão todas as lembranças...
que procuro não gastá-las...
para quando não haver o que lembrar.
Lembrar o que guardei com amor...
Amor me faz lembrar a dor.
Pois a conseqüência do amor
que não era amor... é a dor,
que ataca com fervor, ardor,
que incomoda machuca
como ferida que se abriu
no mais intimo do meu eu...
Eu bem sei quantas origens tivemos.
Passamos por aqui durante os séculos.
Séculos atrás estive nesse mundo,
de água azul e sem poluição.
Será que estive com Cabral?
Ou era eu Cabral?
Ou estava contra Cabral?
Era uma mulher um soldado ou um animal?
Que perguntas sem respostas
respostas, que nunca encontrarei.
Bem sei, bem sei, bem sei...
que por esses mares naveguei.
Naveguei também por diversos olhos,
que pareciam naturais mas eram postiços.
Ao invés de mar, era uma banheira...
com uma engenhoca embaixo
para formar ondas.
Ondas naturais, sonoras
poluição do ar, embora
não possa fazer nada,
faço minha parte,
mas o meu carro não!
Ele polui o ar e
não posso impedi-lo.
Nhec- nhec! Range outra vez a porta.
Mais uma legião de pessoas
que adentram o meu sentimento
no isolamento do quarto
com o rock pesado
a escrever aos bocados
tudo o que passa na minha cachola...
que comporta uma cartola...
aquelas de mágico que sai coelho...
só não sai elefante por que é grande demais
e também por que é feio.
Se fosse branquinho e dentuço até sairia.
Mas aí, não seria elefante e sim coelho...
Que confusão!
Falta-me um parafuso.
Meu cérebro entrou em ebulição.
Do ponto gelo virou vapor...
termômetro, termodinâmica,
calorimetria, fórmulas,
Física, Biologia...
raiz, folha, fruto, caule...
xilema e floema
parênquima e colênquima...
Chega de Ciências, que loucura!
Vou ficar no isolamento do quarto
ouvindo o rock pesado
antes que a bendita porta
abra outra vez!!!

Dartagnan
Enviado por Dartagnan em 14/10/2006
Código do texto: T263881
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Sobre o autor
Dartagnan
Santos - São Paulo - Brasil, 35 anos
9 textos (219 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 10:33)
Dartagnan