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Maldito Acaso

Se penso duas vezes
Não é porque tenho escolha
Não tenho escolha  nem cura


A inteligência é isto
Um peso inútil
Que se tem de carregar
Ao longo de toda a  vida

Uma penosa  maldição
A qual a contingência condena
Alguns pobres desgraçados
Desafortunados e desventurados

Agora me vejo:
Um erro trágico
Que têm sobre si
Um peso excessivo
Que não pode suportar
E tampouco lançar fora

Queria ser  burra
Ou leviana
Ou ingênua
Ou irrefletida
Ou superficial
Ou instantânea

Não me importa o eufomismo
Que usamos para suavizar
A  grande estultice humana
Em sua felicidade conseqüente
Semelhante a dos animais

Viver  na superfície
Respirar ar leve
Límpido e falso
Ou afogar-se no lodo
Asfixiar-se em fedor
Fealdade e realidade?

Não tenho escolha nem cura
Ainteligência é uma prisão
E esta despoja do viver
A prerrogativa de só viver
Imersa na superfície estagnada
De uma vivência impensada

Um grilhão que prende
Ao lado da realidade
E para cortá-lo
É preciso cortar os pulsos
Com os cacos do espelho
Da própria honestidade

Prisioneira de  meu próprio inferno
Esta chama sempre arderá
Neste corpo de cinzas de carne
Neste aglomerado de visceras revoltadas
Com chumbo correndo ás  veias
E queimando até a autodestruição

O ódio é meu único vício real
O desprezo minha única virtude
O nada, meu único ideal

Esta vida é lama
Lama e lodo
Depois  nada.

Campanário
Enviado por Campanário em 15/10/2006
Reeditado em 04/08/2011
Código do texto: T265013
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Campanário
São Paulo - São Paulo - Brasil, 30 anos
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