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Meu Facão Bateu

Este facão aqui na minha mão
Não é arma não
Não tem corte , nem intenção
É representação

Representa nordestino e brasileiro
—  Povo sofrido , guenzo e guerreio !
Que levanta de noite ainda cedo
E vai cortar cana sem medo
Põe blusa velha que protege o braço
Da palha da cana do corte de aço
E fica lá o dia todo no canavial
Pra ganhar sua miséria por dia real

Representa o imigrante camelô
Que usa o facão pra abrir o coco
Nas centenas de barracas da cidade
Tentando matar a sede de verdade
Em busca da vida e vivendo na guerra
Representa analfabeto sem terra
Resistindo a reintegração
Da posse de terra sem produção

A resistência da nossa cultura
Que sobrevive no bate facão de Maculelê
Mesmo enferrujado este facão
Solta suas faíscas quando atrita
Batendo no chão ou em outro facão
Faíscas pra quem vê são lindas
Estão prontas pra acender o fogo
Um dia queima a banda podre do país

E um futuro melhor nascerá das cinzas
Ritual
Enviado por Ritual em 18/10/2006
Código do texto: T267867
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Sobre o autor
Ritual
São Paulo - São Paulo - Brasil
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