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MIGALHAS

A rua brilha.
Os últimos raios de sol
derramam-se sobre a trilha.
O indigente, porém, não vê o arrebol.

A calçada é limpa e vermelha.
O homem, sujo e repulsivo,
sente uma centelha,
percebe o lixo, o coração pulsa, vivo.

Mãos multiplicadas catam,
selecionam dos restos, a migalha.
No íntimo, é a esperança que batalha
são sobreviventes, que ainda não matam.

No farfalhar de pássaros que procuram ninho
o ser ainda se mantém em pé, único, sozinho...

Ele anda até o último clarão do entardecer
necessita de um refúgio, de um amanhecer...

Divide o espaço com insetos, pedaços de jornais.
Encolhido, o corpo aquece, o sono vem acolhedor.
O sonho é nítido, humano, os anjos, seres reais
ele, enfim, um homem digno, um imperador!
Rosa Dias
Enviado por Rosa Dias em 19/10/2006
Código do texto: T267925
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Sobre a autora
Rosa Dias
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 59 anos
39 textos (6701 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:14)
Rosa Dias