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SÍNDROME DO NINHO VAZIO

Na primavera nasceu a nossa filha, linda, sadia, uma flor!
Um sonho realizado, o meu corolário de amor.
Arrumei o cabelo, maquiei o rosto,
E vesti um penhoar bordado de vermelho
Para conhecê-la no berçário,
Embora já trocássemos carinhos diários.

O coração batera forte e o meu ser se enternecera.
Sem poder conter o pranto, postei-me a agradecer.
O meu presente era ela: o bebê mais lindo daquele dia,
Feito de amor, com as fímbrias da alma em harmonia,
Sob a guarda do coração enamorado.

Da primeira palavra, eu não posso esquecer.
Quando a descobri de pé, sorrindo para mim;
Os primeiros passos, o primeiro dentinho...
Ah, isso, nunca esqueci, até parece que estou a ver.
E a vida virou uma eterna primavera, cheia de anjinhos.
Mais três irmãozinhos vieram para nos fazer companhia
E encher a nossa vida de alegria.
Uma árvore cheia de passarinhos!

Lembro-me do primeiro dia de aula, da palavra MAMÂE,
Desenhada com a sua letrinha, das redações, dos poemas,
Das bonecas nas casinhas... e dela, como professorinha,
A ensinar aos irmãozinhos com tanto carinho.
Do sucesso na escola, dos passeios de veraneio,
Do papai Noel que dava moedinhas...
Entusiasmados, eles guardavam nos cofrinhos.
Que alegria era a nossa família!

Depois, eles cresceram: faculdade, bacharelado...
E nós torcíamos a cada vitória, chorávamos nas formaturas,
Nas aprovações de concursos,
Nas investiduras de cargos...
Sentíamo-nos também vencedores,
Poia a felicidade dos filhos sempre foi a nossa realização.

E como esses filhos cresceram!
Em tamanho e em valores, fazendo-nos felizes.
A cada ano, um deixava o aconchego do lar,
Para o próprio caminho palmilhar,
Ao lado de um grande amor.
Até que o último pássaro alçou seu voo.

O ninho ficou vazio, a árvore solitária...
Desapareceram as risadas, as conversas,
O afeto gostoso de todo fim de tarde.
Esconderam-se, feito estrelas em noites de chuva.
Tudo ficou triste, nem a lua restou por companhia.
Somente saudades daquele convívio, daquela alegria...

Agora, a "síndrome do ninho vazio".
Um tédio ambulante passeia pela casa,
Os ecos se formam pelos cantos em soluços inaudíveis.
As camas sem hóspedes, sem donos...
As luzes não se acendem mais.
Tudo ficou desnecessário!
Falta a alegria, falta o vozerio...
Há um gosto de saudade impregnado no ar.

À mesa, as cadeiras desocupadas
Parecem encharcadas de abandono.
Os talheres não mais têm vida.
Não tamborilam sobre a mesa.
Tudo se resumiu a dois lugares marcados.
Justamente como no início: eu e seu pai.

Hoje, mais experientes,
Pois superamos as dificuldades,
Vivenciamos a dor e encaminhamos vocês
Na trilha do bem, na trilha do amor.
Resta-nos o sentimento de dever cumprido.
Embora longe dos nossos cuidados,
Do nosso carinho, do afeto diário,
Sempre seremos nós os pais de vocês.

Genaura Tormin
Enviado por Genaura Tormin em 24/10/2006
Reeditado em 09/04/2010
Código do texto: T272236
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Genaura Tormin
Goiânia - Goiás - Brasil, 71 anos
311 textos (395833 leituras)
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Genaura Tormin