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O ACASO DA VIDA

27/04/2004

Há tempos, queria ser um escritor de novelas de sucesso. Tentei escrever uma, mas, não deu certo. Realmente, escrever uma telenovela, não é para tolos, pretensiosos e iniciantes. Tem que comer muito arroz e feijão. Frustrado, coloquei mais uma idéia na maldita pasta amarela toda empoeirada, na qual muitos papéis guardados estão amarelados e servindo de comida às traças:
O ACASO DA VIDA
Francisco, mas o apelido era Xana Cristina, de dia trabalhava numa repartição pública e à noite gostava de se divertir com os amigos. Sua mãe sabia sobre sexualidade do filho e culpava intimamente o pai, por abandoná-los sem nenhum remorso.
Porém, considerava-o um bom filho "apesar de tudo". Também tinha sua neta, origem de uma “escorregada” que o filho dera com uma amiga, que morreu por complicações de parto. A menina ficou com o pai e a avó desde recém-nascida. Viviam felizes e harmonicamente.
A filha de Francisco chamava-se Marta. Quando completou vinte anos, seu pai lhe deu de presente uma viagem. Foi aí que começou o drama da família.
Quando voltou da viagem, estava radiante. Ela era uma moça diferente das outras, bastante culta e madura para sua idade. Terminou a Faculdade de Letras cedo e já estava fazendo mestrado em Antropologia Visual. Gostava de se envolver emocionalmente com homens bem mais velhos. O pai dava apoio aos seus relacionamentos, eram confidentes íntimos(para o espanto da avó), falavam sobre seus respectivos casos amorosos e de homens. Marta confidenciou ao pai,secretamente, não gostava de falar sobre certas coisas perto da avó:
– Pai!! Encontrei um homem de verdade, tem sessenta anos, mas é muito atlético. É viúvo, fomos para muitos lugares interessantes.
– Que legal, ele é bonitão mesmo?
– Olha aqui, vi primeiro!!! Não vai querer disputar com sua própria filha!!! ( risos)
– Claro que não. Gosto de homens mais novos. Tem que ter cuidado é com a sua vó.
– Ah pai! Não fala assim, a vovó é tão legal. Aliás, ela nunca quis namorar depois que o vovô os abandonou?
– Filha, sua avó foi criada para amar um só homem. Ela ainda ama o canalha do seu avô. Meu amor, sua avó já sofreu muito, foi abandonada pelo homem amado e desprezada pela família por causa da minha opção sexual.
– Pai, vamos falar de alegria e não de abandono e do maldito preconceito. Preciso te dizer uma coisa, “pintou um clima” entre mim e o cara. Foi maravilhoso.
– Ai que inveja! Filha! Qual o nome desse maravilhoso homem maduro?
– Márcio.
– Márcio?!
– Pai! O quê foi? Tá bem?
– Nada. Filha, como ele é fisicamente?
– Pai estou cansada. Amanhã mandarei revelar as fotos e você fica sabendo quem é.
– Boa noite filha querida!!
– Boa noite pai!!
Ao entrar ao seu quarto, sentiu um arrepio: “como ela diz, ele tem sessenta; eu tenho quarenta e ela vinte um. Meu deus será possível. Ah! Isso é besteira minha, o mundo não pode ser tão pequeno”.
Passou alguns dias, Marta foi revelar as fotos. Francisco ficou apreensivo. O telefone tocou. Sua mãe atende. Era para a neta. Depois de desligar o telefone, ficou com uma cara de assustada e Francisco perguntou:
– Que foi mãe? Quem era?
– Era um tal de Márcio, ele tinha uma voz parecida com a do seu pai, sei que você não gosta de que se pronuncie sobre seu pai nessa casa, mas quando atendi, parecia que eu estava falando com ele. Só que a voz estava envelhecida. Me deu um calafrio na espinha.
– Mãe, não queria lhe falar, mas a Marta encontrou um homem bem maduro, bem maduro mesmo, com uns... sessenta anos chamado Márcio.
– Filho!!!! Você não pensou o que estou pensando nesse exato momento...
– Mãe calma, o mundo não é tão pequeno assim. Marta vai trazer as fotos que ela tirou com ele e vamos ver que é tudo fruto da imaginação de nossas cabeças ocas.
A porta se abriu, era a Marta. Estava radiante para mostrar as fotos ao pai, mas quando viu avó, deteve-se um pouco. Sabia que ela era um pouco conservadora e não iria entender que estava apaixonada pelo Márcio, que tinha a idade de ser seu avô.
– Minha filha, já contei para sua avó. O Márcio ligou e foi ela que atendeu. Agora, vamos ver as fotos.

Tudo foi muito rápido, os dois praticamente arrancaram a foto das mãos de Marta. Mãe e filho viram a imagem do homem, sentiram que o teto ia desabar sobre suas cabeças. A mãe começou a chorar sem parar e o filho ficou parado sem ação. Marta não entendia nada.
– O que foi, pessoal?!!!
A avó desequilibrada começou a desabafar, despejando para neta suas mágoas reprimidas: – Por que, meu Deus? Não escutei meu pai, quando disse que aquele canalha não prestava? Se eu soubesse na desgraça que iria ser minha vida? Fui amaldiçoada, me apaixonei por um canalha, meu filho escolheu um destino que não aceito muito. Agora, a minha neta se envolve incestuosamente com o próprio avô! O quê os parentes irão dizer, já não sou muito bem quista por eles!
Marta ficou atônita, perguntou para Francisco se isso era verdade ou delírio da avó? Ele ficou sem responder. Só respondeu: - Hoje é o último capítulo daquela novela mexicana “ A Saga de Kassandra Cristina”? A filha insistiu...
– Pai, fala alguma coisa!!!!
A avó correu e abraçou a neta e disse: - Minha filha, nossa família é marcada pela desgraça. Mas, somos uma família unida e vamos achar alguma solução. Você vai ver, o tempo é o melhor remédio. Agora, vou preparar um lanche muito gostoso para gente e depois vamos ver com seu pai aquela novela chata que ele adora “ A Saga de Kassandra Cristina”, a atriz principal é muito feia. Tomara que seu pai não me escute falando isso, ele a adora.
A neta ficou mais tranqüila e abraçou a avó e ambas choraram muito. Depois foram ao encontro de Francisco e o abraçaram. Ele ainda perplexo, perguntou para mãe:
– Deus está nos castigando?
A mãe disse: - Filho, não se martirize.
– Escutei tá!!! A atriz é maravilhosa!!!
A mãe sorriu para ele e para a neta, eram únicos tesouros que possuía nesse mundo. Depois da novela, foram lanchar.
O tempo passou, Márcio (causador de todas as desgraças, como dizia sua mãe) ligava. Porém quem atendiam ou era Francisco ou avó: – Ela não que falar com você! –.Então, o senhor desistiu, sem saber o motivo. Porém, ficou triste porque aquela menina parecia ser aquela moça, a qual abandonara com seu filho pequeno para realizar seus desejos ambiciosos. “Como me arrependo disso”, pensava. “Mas, o que está feito tá feito.”.
Era um industrial riquíssimo, tinha filhos e netos. Não podia se meter em escândalos. Iria destruir sua reputação. Contudo, em alguns momentos, lembrava-se de certas coisas que o incomodavam.
Umas três vezes que ligou para casa da moça que conhecera na viagem, uma voz de senhora que o atendia friamente o lembrava da mulher que abandonou.

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dudu Oliva
Enviado por dudu Oliva em 25/10/2006
Código do texto: T273245
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Sobre o autor
dudu Oliva
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
41 textos (3431 leituras)
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