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Caso Sério

De andar cambaleante, entra no bar vacilante 

No balcão do boteco, pede um treco 

De uma talagada só, engole o goró 

No rosto pelo sol queimado, fisionomia de cansado 

Ao balcão volta, pede outra e reforça: 

- " Coloque cheia, essa vida me chateia " 

No bem atender.acostumado, serve calado 

Olha para o freguês, que será que a vida lhe fez 

O experientado botequeiro pergunta em tom matreiro: 

- Foi mulher? 

O cabloco o fita e conta sua desdita: 

- "É a dolorosa dor de incontido amor. 

Fui largado, por ela abandonado 

Tudo lhe dei, veja o que me " feis " 

Me fez apaixonar, juras de amor declarar 

Tolo como todo homem, agora sofro 

Para aguentar já não tenho mais estofo 

Todo dia a lembrar a maldita agonia 

Ser trocado por outro pé rapado 

Nada de grana a gente tinha, mas vivia feliz 

A troca foi apenas por ele ser mais novo 

E eu me acabo, pois me tornei um estorvo 

Trabalhador eu era, agora sei lá que será 

Pode "inté " ser que pare de viver 

Mas a vida é dádiva de Deus 

A ela não posso dar adeus 

Nessa vida de chalaça e desgraça 

Na cachaça busco achar graça " ! 








GDaun
Enviado por GDaun em 26/10/2006
Código do texto: T273918

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 72 anos
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