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Coisas de Criança

Naquele dia estava tudo bem, sabe aqueles dias onde tudo dar certo, até o céu comungava com a harmonia perfeita do dia, eu precisava daquilo como nunca.
Passei a morar sozinha com meu filho, e tudo estava correndo bem. Decidi fazer algo diferente com ele, então o disse: -Vamos fazer  biscoitinhos meu amor! Ele vibrou em sorrisos e gritos: -Sim, sim!!! Foi aí que tudo começou, sabe como é criança, não é!? Não podemos dar as costas, literalmente falando, não podemos mesmo. De um ressalto foi em me virar para pegar a bacia com a massa do biscoito que havia acabado de preparar, imagine só o que ele aprontou. Primeiro não estava mas no lugar que o tinha, segundo, displicentemente não me preocupei com o silêncio repentino, e terceiro aí veio à ocorrência, como sempre aquele famoso "chavão": Mamãe, mamãe!!! Meu Deus, larguei tudo e corri, feito uma leoa feroz protegendo seus filhotes... Então aquela vozinha doce e chorosa me confessou o ato "criminoso": Mamãe, tem um caroço de feijão em meu nariz. Chorava ele, chorava eu, sem saber o que fazer e par onde correr, minha vontade era enfiar a mãe e arrancar a aquele corpo estranho, do seu narizinho, tão pequenino, e ao mesmo tempo entre lágrimas e inutilmente, eu reclamava pelo o que ele tinha feito, como não tinha em mente a quem recorrer, lembrei-me que a avó paterna tinha acabado de sair, então liguei pra ela, mas nem raciocinava que pelo tempo ela ainda não havia chegado. Por sorte ela ainda estava perto, consegui chamá-la e ela veio junto comigo desesperasse também. Grande ajuda! E ele quietinho, sem chorar, nem parecia que estava com um caroço de feijão preto no nariz, que havia encontrado no sei onde, para causar este rebuliço todo. Assim a avó havia ligado para o mar ido, (o avó paterno), ele veio de carro para levar-nos a um hospital publico que tem aqui próximo, como já era noite, não dava pra levá-lo a nenhuma clínica especializada.
Chegando no hospital, que mais uma vez por sorte, não estava muito cheio(agradeci a Deus por isso), vai saber quando um hospital público não está lotado! Aí fiz sua ficha e aguardei naqueles longos corredores. Apesar da calmaria, havia uma pequena correria  de poucos médicos, poucos mesmo! Naquela hora da noite, já não havia muitos... E também choros de uma mulher, que também estava lá desesperada, junto a sua irmã, aguardando pela filha que acabara de ser atendida e medicada, por ter subido no vaso sanitário, caindo sobre o vaso quebrado e se cortando toda . Todas as atenções lá estavam voltadas a essa outra criança arteira de apenas 7 anos, que aguardava ser encaminhada para o Hospital geral do Estado. Diante daquela situação vi meu problema, qual o tamanho do caroço de feijão.
Mas mesmo assim era um problema. Aproximou-se então, um médico e me perguntou o que meu filho tinha, expliquei tudo, e por súbita surpresa, ele me disse que não tinham como fazer nada ali, pois não tinha aparelhagem suficiente e especializada para retirar o caroço da narina do meu filho, e me mandou ir ao Hospital Geral. Paralisei . Nessa altura o pai já estava lá, e fomos contar a boa nova ao avô, que prontamente, se dirigiu ao carro, junto a mim, meu filho o pai e avó, para seguirmos viagem a nosso destino. Quando de repente a pequena criatura com sua proeza de criança, simulou um espirro e gritou: - Caiu, caiu, mamãe! Nem acreditei, quando olhei o caroço aparecendo na entrada do nariz, e loucamente enfiei meus dedos e o retirei.  Essa é mais uma história que acabou bem, mas a daquela menina e de tantas outras artes de outras crianças não sei...


Nelciene Santos
Enviado por Nelciene Santos em 30/10/2006
Código do texto: T277176

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Sobre a autora
Nelciene Santos
Cabo de Santo Agostinho - Pernambuco - Brasil, 44 anos
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Nelciene Santos