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Sertão Mar

A seca seca a terra,
seca a gente,
seca a vida.
Seca a morte que tem sede de viver
para matar a sorte de quem subvive
brincando de sobreviver.
Nefastos coronéis sugam suor e sangue
dessa gente que nem sabe assinar o nome,
dessa gente que morre de fome
para alimentar  a gula do poder.
O nordeste?..
O nordeste é um latifúndio
onde latem fundo as desigualdades,
onde a miséria dita as ordens
e o analfabetismo é seu feitor,
na democracia do chicote
 o cabresto marca o X do eleitor
para escolher seu carrasco e sua dor,
esse feudo fede a morte:
é o corpo faminto
que cai indigente
em meio a lavoura que o tempo secou,
é o vômito arrogante
do coronel prepotente
que se autodeificou.
É o descaso
que leva ao ocaso
um povo escravo da dor
é a dor que alimenta a morte
que mata a vida, assassinando a sorte.

Mas o nordestino é forte!
Faz de esperança o seu farnel.
Pega seu pau de arara,
vai pedir a “Padin Ciço”
que traga à terra um pouco de céu.
Canta e reza,
para espantar seus males,
quebrar maus olhares,
pedir água a Deus.
Lembra o Mestre Vitalino
que com a beleza de um menino
fez no barro o caxixi.
E o capitão Virgulino
que do cangaço foi ladino
foi um mito,
foi um rei.
De canudos ecoou um grito!
Era o profeta conselheiro
dizendo ao povo brasileiro:
“o sertão vai virar mar”,
quando a seca deixar de ser
um objeto no mercado da política,
quando a miséria não mais alimentar o poder,
quando o desmando enfartar o peito do coronelismo,
quando o analfabetismo calar e o povo disser não,
quando o chicote quebrar,
quando o cabresto partir...
“o sertão vai virar mar”

Antonio Pereira (Apon)
http://www.aponarte.com.br
Antonio Pereira APON
Enviado por Antonio Pereira APON em 30/10/2006
Reeditado em 14/07/2010
Código do texto: T277692

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Sobre o autor
Antonio Pereira APON
Salvador - Bahia - Brasil, 52 anos
158 textos (33998 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 20:40)
Antonio Pereira APON