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A NATUREZA DO AMOR

Injusto é o amor, este sentir,
Que jamais retribui o mal
E, contrariando o protocolo,
Sofre sereno e calado,
Sem nunca esperar salário,
Morrendo em vez do culpado.

Insano é o amor, este sofrer,
Que louco não pensa certo,
Pois ajuda quem não merece,
Quem não se esforça e não tenta;
Socorre quem não carece,
E na dor não se impacienta.

Tolo é amor, este cego,
Que não sabe julgar mal;
Confia em gente enganosa,
Arranjando-lhes desculpas;
Perdoa mesmo inimigos
E de condenar não se ocupa.

Cego mesmo é o louco amor,
Que vê beleza em rascunho,
De gente pobre, sem lustro,
E pode amar mesmo monstros
Que a monstros dariam susto,
Além de alumiar as trevas.

Quando se viu o amor ofendido?
Quem seu sorriso abrandou,
Esfriando-lhe a paixão
E a espera lhe desesperou,
Tirando-lhe mesmo a fé
E do bem desanimou?

E quem não tem suas culpas,
De ajuda não é devedor,
Não fez qualquer inimigo,
Mas amizade e favor,
Tendo a alma assim grandiosa,
Que amor mereça e abrigo,
Do bem seja inquiridor?

Que bom que amor é amor,
Injusto, sego e sem preço,
Mas sublime qual a flor,
Além de tolo e insano.
Me conforta docemente,
Apesar que não mereço,
Como faz com todo mundo,
Dando-se assim, sem ter preço.

Wilson Amaral
Brilhante na Glória
Enviado por Brilhante na Glória em 02/11/2006
Reeditado em 12/07/2007
Código do texto: T280028
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Sobre o autor
Brilhante na Glória
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 50 anos
44 textos (2237 leituras)
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