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Duplix? Que poema é este?

Para falar sobre o Duplix, vou reportar-me ao Poetrix, uma vez que este é a matéria-prima de toda a cadeia do processo produtivo. É a partir dele que se constrói um Duplix. Desta forma, alguns entraves devem ser levados em consideração. O primeiro deles é a questão da autorização do uso de obras de terceiros, que deveria ser solicitada aos autores dos Poetrix. Os quais chamarei, a partir de agora, de Poetrix/base. Esta é uma questão delicada que ainda não foi totalmente resolvida. Felizmente nada de desagradável aconteceu até o presente momento. O fato é que, quando compomos um Duplix, já estamos sinalizando para o outro autor, que gostamos do seu Poetrix. Partindo desta premissa, jamais usaremos um Poetrix, de quem quer que seja, para fazermos um Duplix que vise à destruição do Poetrix/base. Não acredito que alguém faça um Duplix usando um Poetrix que não tenha lhe chamado a atenção ou que não seja algo de que tenha gostado muito. Outro problema que gostaria de abordar é a questão da publicação. Nem sempre nós pedimos aos nossos parceiros a devida autorização para a publicação do Duplix. Por isso é imprescindível que publiquemos o nome do autor do Poetrix/base juntamente com o nosso.

É importante ressaltar que, quem dita os meandros do Duplix, é o Poetrix/base. É ele que nos oferece a direção a ser tomada. Porém, existem casos em que o Duplix muda o sentido que o autor do Poetrix/base deu ao seu texto, isto pode causar um pequeno constrangimento ao autor do Poetrix/base, mas vale ressaltar que esses casos têm sido raros e nada comprometedores.

Vou tomar como Poetrix/base um “poema” de Platão, para poder exemplificar o que vem a ser esta nova forma de se fazer poemas compartilhados.

Apologia

Deus me obriga a agir como obstetra,
porém,
veda-me de dar à luz.

A partir deste Poetrix, criarei um Duplix; tornarei-me um parceiro vivo de Platão no instante em que colocar ponto final na nossa composição.

Apologia    ///  Paz e amor

Deus me obriga a agir como obstetra,//um homem especial,
porém,//todavia, contudo, não obstante
veda-me de dar à luz.//..um opositor ao Excelentíssimo Presidente.

(Platão, 428-347 AC) - Pedro Cardoso

Dentre os comentários que recebo sobre os textos que escrevo, está o que o Poeta Jorge Manuel Amaro fez em relação ao Duplix de um modo geral, conforme segue:

“no caso de um duplix, os dois poetrix tem que fazer sentido isoladamente e em grupo, ou seja - quando se faz duplix, o leitor deve ser capaz de ler o texto tanto individualmente na vertical, como em duplix na horizontal, isto sim, para mim, dá a beleza aos duplix”.

Este é o maior segredo do Duplix, é o ponto central desta discussão. Observe que ele ressalta a importância que se deve dar à leitura dos Poetrix. Ele deixa claro e isto é fato, que as leituras terão que serem feitas individualmente para cada poema; tanto na horizontal quanto na vertical, com isso, o leitor deve “enxergar” os três poemas que compõem o Duplix, de forma independente e cristalina.

É vital registrar que o Duplix não é um simples complemento de versos. Ele nos obriga a fazer as três leituras completas - literais. São estas leituras que o diferenciam de um complemento de poema, são estas leituras que nos permitem confirmar se realmente um dado poema é, ou não é, um Duplix. Estas leituras deveriam ser iniciadas sempre pelo segundo Poetrix, assim sendo, o leitor estaria, de pronto, fazendo uma análise prévia do Duplix, pois muitas vezes o segundo "Poetrix" não faz sentido isoladamente, o que compromete a parceria.

A grande dificuldade de se fazer um Duplix está no fato de que não podemos, em hipótese alguma, alterar o Poetrix/base. Este é um dos motivos pelos quais não aceitamos o auto-duplix, muito embora alguns o façam.

Às vezes o segundo Poetrixta não leva em consideração a pontuação do Poetrix/base, isto deixa o Duplix menos atraente, sua leitura fica comprometida, truncada. Por sorte, alguns Poetrixtas compõem os seus poemas sem a “devida” pontuação, deixando para o segundo Poetrixta uma "certa" liberdade. Este artifício - perfeitamente aceito, favorece o segundo Poetrixta, pois algumas alternativas ficam em aberto. Porém o autor do Poetrix/base corre o risco de ver o sentido inicial do seu poema alterado.

Finalmente, o Duplix é uma composição a quatro mãos, é uma estampa que funciona como peças de um quebra-cabeças. Se as peças não estiverem perfeitamente encaixadas, não oferecerão uma boa leitura, uma boa estética, e muito menos um bom casamento.

Sempre me pego imaginando coisas, coisas absurdas, coisas insuportáveis para a minha cabeça, aí me perguntam: quem é o autor do terceiro poema?!... Sinceramente...

Apologia - paz e amor

Deus me obriga a agir como obstetra,//um homem especial,
porém,//todavia, contudo, não obstante
veda-me de dar à luz.//..um opositor ao Excelentíssimo Presidente.

Viva a poesia!!!
Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 05/11/2006
Reeditado em 09/11/2006
Código do texto: T282738
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Cardoso DF
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 68 anos
4325 textos (94900 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 02:11)
Pedro Cardoso DF