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VIDA DE PESCADOR NO MAR DE ANGOLA

Qual o caminho do sol ?
nas águas do mar da tarde
nos coqueirais de Luanda
encontro a estrada do sol

À beira-mar areado
a dimensão do espaço
nas águas o reflexo
prateado logo dourado

Voam garças gracioso alinho
ao vento que leva a tarde
altivas no ar regressam
fidalgas singelas ao ninho

A sul de mim pescadores
povo-do-mar , dos cachimbos
conversas no ar puxam
no tempo sem (h)ora nem dores

A norte , amigos e namorados
risos abraços mergulhos no mar
rolam e brincam ali largados
dedos sensuais roçados ousados

De norte a oeste faixa
de estrada sulcos nas águas
língua de areia que longe vai
gente que anda na maré-baixa

Barcos aprumados ao sol poente
vibram motores e os pescadores
aos pares buscam seu alimento
na arte da vida a pescar na fonte
"
Traineiras roncam suas quilhas
sulcam ousadas os oceanos
profundos rasgando suas ondas
e da terra se afastam , das ilhas

Do Mussulo , dos amores
cantados em versos maiores
por quem os viu e sonhou
de ninfas , musas e ardores

Campos verdes de mangueirais
e coqueiros nas praias semeados
convidam àqueles com vida
deleitam o ser amado , atraem.

Ao longe sem terra avistar
param os barcos nasce o silêncio
assentos tomados preparo ultimado
emoção crescente Peixe x Povo-do-mar ,

Iscam anzóis e lançam linhas
cachimbos cerrados nos dentes
a lua passeando na noite a voar
o peixe mordendo à borda vinha

Tamanho gigante alegra o povo
brilha a linha refletindo o luar
Cruzeiro-do-Sul no céu a sinalizar
a noite que vai e mais um dia novo ;

De proa ao sol já virados
cachimbo aceso admirando o peixe
pernas traçadas amuras dadas
regressam no leme os barcos pesados

Em terra as mulheres do Povo-do-mar
cigarros acesos na boca virados
vibram conversas da noite dormida
cesto ao lado e o barco a chegar ;

Em terra pescadores lançam as redes
Cercando o peixe e da praia puxam
horas passadas no relógio do sol
ultimo palmo de rede a amanhar

Redes estendidas e os barcos secando
o peixe na areia e o negócio a rolar
parte é guardado alimento do lar
o resto em cestas na cabeça levando

No dia que vem e ao sol indo
as mulheres cantam seu regatear :
éé peixe fresquinhoooo.. é bom éééé !...
nas ruas das casas as donas saindo

Peixe pra cà peixe pra là
tamanho medido preço acertado
fico não fico , sorriso e fumaça ,
negócio fechado amanhã também há

As cestas vazias retornam o rumo
às casas que esperam arrumo da mãe
crianças nas escolas quadros na areia
a cantar : três x um .. três... e aprumo .

Crescem meninos de alma ardente
em praias de africano manto
em lares de hoje e de ontem
livres de mente no corpo valente

À sombra fresca dos coqueiros
os corpos fortes sãos e trajados
de coloridas tangas á cintura
descansam da noite nas esteiras

O sol ao longe a tarde amansa
da funge almoçada no molho de peixe
as linhas prontas canoas descidas
no poente que vem ao mar avança

Antes que a noite abalar deixe
no quintal do lar preparando jantar
crianças brincam os ultimos raios
conversas alegres fritando o peixe

À roda na esteira na pedra a calhar
meninos escutam estórias e lendas
vividas no mar cantigas pescadas
letras faladas escritas no ar :

"Tartarugas negras no verão voltam
à noite , nas praias cobrem seus ovos
nascem sereias de rara beleza
mergulham no mar depois que encantam

Montar sereias de altas escolas
ao oceano imenso se é levado
cavalgam guerreiras nas espadas
soando trombetas e celestes violas".

Vai à vida o Povo-do-mar
vai à pesca o filósofo real
mergulha a noite de encantos
ecoam os tambores a rufar

Cânticos vibram nos lares
na brisa longínqua das vozes
no ritmo quente dos corpos
saúdam Reis , Céus e Mares !
Valdemar Ferreira Ribeiro
Enviado por Valdemar Ferreira Ribeiro em 28/06/2005
Reeditado em 02/08/2010
Código do texto: T28614
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Valdemar Ferreira Ribeiro
Angola
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Valdemar Ferreira Ribeiro