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O pranto desaba sorrateiro na estirpe
E voleia sonolento ao vento bufão das guerras.
Guerras que se criam, quando paridas,
E perecem, quando perenes morrem.

Gritos, que provindo dos guetos,
Vêm prover a morte santa da agonia
Que soluça feito louca pelos cantos da prisão.

Loucos que vagueiam
mortos-vivos, pela noite,
Porque vivos,
já não, eles mais o são.

Santo padre-nosso,
padre-vosso,
pelos ossos
desses mortos
diz-se amém!

Carros luxuosos,
Corsos novos,
Novos povos famintos,
Caminhantes, itinerantes,
Bandoleiros, retirantes
Sem destino, em desatino.

O menino endiabrado,
Esfaimado e abusado
Esse brado vem bradar:

“- Eu sou pobre, pobre, pobre,
 da Favela da Maré!
 Eu sou pobre, pobre, pobre,
 Na maré cresci!
 Se tu é rico, rico, rico,
 Dá um dinheirinho aí!
 Passa logo a grana toda,
 Se não vai caí!”

Belo futuro nos reserva a omissão!
Nel de Moraes
Enviado por Nel de Moraes em 28/06/2005
Código do texto: T28797

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Sobre o autor
Nel de Moraes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
407 textos (351722 leituras)
2 e-livros (297 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 10:38)
Nel de Moraes