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Nas Brenhas do Sertão

NAS BRENHAS DO SERTÃO

Sertanejo
convive diuturnamente
com a morte
sol castiga-lhe
sede

anda léguas
de chão rachado
corpo esquálido
faminto
contam-se as costelas
sem comida

escuridão da noite
só o vagalume no mato
candeeiro em casa
nos terreiros, o mentiroso
contando estórias

mulher morrendo de parto
criança com “doença de
menino”
barriga grande, verme
rezadeira com galhinho de
arruda
anjinho levado na rede
ao cemitério

vaqueiro cego de um olho
perdido nas pelejas
da caatinga
boi fujão

pouca água barrenta
das cacimbas
carregada no pote

À Novena do Sagrado Coração
beber aluá
comer sequilho
água benta, males afastar
caminhar uma, duas léguas
ir à missa no domingo
capelinha

Morreu o fazendeiro
as mulheres cantando
as “incelenças”
ir pro céu
morrendo a cada dia
com a cuia
na mão.
maria do socorro cardoso xavier
Enviado por maria do socorro cardoso xavier em 16/11/2006
Código do texto: T293395
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Sobre a autora
maria do socorro cardoso xavier
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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maria do socorro cardoso xavier