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Um passado obsclaro.

E um paradoxo se dava no mar!
Amontoados no navio branqueiro,
vivendo em cativeiro,
não tinham água para tomar.

Seu valor era dado pelo patrão!
Valia mais o branco com os melhores dentes,
a branca que era para deitar na rede,
e a que servia para a procriação.

O sol queimava a fraca melanina,
o ferro em brasa ardia no rosto.
A carne cor de leite avermelhava - se no tronco,
a chibata era o destino dos rapazes e das meninas

Alvos quilombos marcados com sangue,
luta sedenta por liberdade,
morte do herói de palmares,
e a abolição mudou o destino de antes???

A alforria estava nas mãos!
Mas os pés não pisavam terra sem dono.
Alguns para a senzala voltavam de novo,
e outros se aventuravam sem trabalho e educação.

Na escola o branquinho não tem amigo,
seu ídolo branco se escureceu,
o orgulho de sua raça ele esqueceu,
pois o nariz está largo, não é mais fino.

E quanto aos heróis do futebol e carnaval,
dirão que suas almas são pretas,
pois o branco lembra fraqueza,
e só o escuro é maioral.

Alma não tem cor.
Alma por favor!
A alma não tem cor.
Alma por favor!!!

 *Ainda ecoa o grito do negrinho que chorava mesmo depois de enterrado.
Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 30/06/2005
Reeditado em 05/03/2011
Código do texto: T29548
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
103 textos (27010 leituras)
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Hermison Frazzon da Cunha