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SINESTÉSICA

Eu sou negro por dentro.
O meu corpo é opaco;
pelo menos eu pensava isso
enquanto ainda
não tinha pensado nisso.

Sou negro por dentro
ainda mais
quando fecho os olhos
e vejo luz
com o fundo dos meus olhos
que eu nem sabia
que enxergavam tanto.
 
Aí sim,
eu vejo o quanto
de opaco
eu nada tenho!...
aí sim,
eu vejo luz...
 
E tenho uma sensação
tão gostosa
de ver que vejo coisas
de um outro jeito
que descobri agora
fechando os olhos.
 
Sinto - (me)
como uma pedra
que respira
e ouve e vê.
 
E na maneira diferente
de ver
que descobri agora
não vejo cores
- só tudo muito escuro
e claro!
 
É sim...
pensamentos não têm cor
- experimenta!
fecha os teus olhos...
 
Sente...
essa sensação
de não ver cores
como uma pedra
que respira
e não vê.
 
Amarelo, azul, vermelho,
lilás, verde, carmim
e por aí vai;
côres definitivamente
é coisa dos homens
- do lado de fora.
 
- não é coisa das pedras
que respiram...



(Ao ler o poema NEGRA de Lilian Maial).
Marco Bastos
Enviado por Marco Bastos em 20/11/2006
Reeditado em 21/11/2006
Código do texto: T296772
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Bastos
Salvador - Bahia - Brasil, 72 anos
1717 textos (87444 leituras)
2 áudios (495 audições)
1 e-livros (791 leituras)
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