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Contrastes

Concreto X Favela

Entre o concreto abafado à
táboa de salvação.

Táboa que bebe água do céu!
Táboa que pega fogo nos corpos dos homens!
Táboa que esfria água do céu!
Táboa que esquenta à carne dos homens!

Favela em trilhas chamadas labirintos,
concreto estilizado em torres.

Favela sem água...sem esgosto...sem chão!

Concreto de água mineral na descarga da
               decepção...
...na piscina, corpos estirados ao chão,
               ao Sol das manhãs.

Na favela, corpos estirados ao chão na
               calada da noite.

Criança da favela no semáforo da contra-mão.
Criança do concreto no colégio da "OPÇÃO".

No varal apinhado, suas roupas são contadas, rasgadas
               e quaradas.

Na lavanderia do concreto, roupas com cheiro da moda...
               até rasgadas pelos "estilistas ".

Vez em quando come sobras nos lixos da cidade...

e a cidade cheia de sobras de comidas,
               em prol da estética.

Ah! Táboas que enfeiam nosso Brasil!
Ah! Jacarandá, Mogno, Freijó e Ipê...
               que enfeitam nossa cidade em suas casas
               pré-fabricadas... chiquetosas.

Esse contraste dá samba,
Esse contraste dá poesia...

Poesia triste, poesia da táboa da inspiração!




 





Laura Goulart
Enviado por Laura Goulart em 24/11/2006
Reeditado em 28/11/2006
Código do texto: T300099

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Sobre a autora
Laura Goulart
São Paulo - São Paulo - Brasil, 53 anos
416 textos (23971 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 14:32)
Laura Goulart