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OCÊ VAI CASÁ CUMIGU?

OCÊ VAI CASÁ CUMIGU?

OCÊ VAI CASÁ CUMIGU?
Naquele dia que nos fomo festejá
pra modi comemorá o São joão.
Aquela muié bunita quinem a santa
mi arrastô toda afoita pro meio do arraiá.
Deixei um par de vala lá no chão,
qui não era pra modi plantá semente não,
foi meus dois pé dos sapato que riscaro assim a terra.
Eu, fingia qui num quiria, mas impurrava o corpo im frente,
prela num disistí i mi deixá quinem bobão.
Meu coração estava aos pulo,
mas acho qui era pra modi dá conta da emoção.
Tirava o chapéu da cabeça pra ocupá a minha mão,
mas botava lá dinovo e a otra logo tamem pegava ele,
pra num ficá vazia não.
Quando os meus braço incabuladu si inchero de valentia
e abraçaro todo aquele corpão, num quiria era largá mais não.
Nem ouvia as música acabá,
tava lá garrado quinem erva di passarim.
Por causa dos pulo qui ela dava,
eu pensava qui era seu jeitin di varsá,
mas ela tava mais é saino fora dos meu pisão no seu dedão.
Até qui a moça mostranu pru qui veio, foi logo dano o seu jeito
di mi puxá lá prum canto, pra modi nois acertá uns tratamento.
Foi logo preguntano, já qui eu tava dano trela,
si eu ia mi casá cum ela. Du jeito qui eu tava,
adispois qui intrei na dança, prumeti inté o qui eu sei
a minha mão num arcança.
Mas pelo menos apruveitei toda a gostosura da festança.
Mario Rezende
Enviado por Mario Rezende em 24/11/2006
Reeditado em 11/06/2009
Código do texto: T300110

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Sobre o autor
Mario Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Mario Rezende