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Caderno de Bolso de um Proletário ou A Peleja entre a Navalha e a Espada Excalibur

Zequinha voltou naquele dia falando línguas estranhas,
Discutiu com o reverendo dando-lhe um soco,
Tomou de uma faca atravessando-lhe as entranhas
Deixando o povo, na quermesse, louco.

Disse que dividira durantes uns meses
Um quarto, na capital, com um sindicalista
Que o incentivou a vender suas reses
E comprar livros da causa socialista.

Transmitiu-lhe, este companheiro,
Os primeiros rudimentos da leitura,
Gastou todo o seu suado dinheiro
Nos arranjos da sua candidatura.

No alto do alambrado, na favela
A multidão ia ao delírio ouvindo,
As palavras de um retirante sem chinela,
Com os burgueses competindo.

O resultado saiu e confirmou-se:
Zequinha presidente do sindicato!
Numa festa a favela tornou-se,
Montou-se um grande aparato

Para ouvir aquele homem baixinho
Que com pouco grau de instrução
Sabia qual era o verdadeiro caminho
Para conseguir a revolução.

A algazarra parecia não ter fim,
Zequinha falou do evangelho,
De Marx, de Prestes, de Lênin,
Da realização de um sonho velho

A juventude ficou ensandecida
Quando o sindicalista explicou
Que a Igreja instituída
Nada tinha de amor

“É priciso apagar as religião
que iscurece o sprito da humanidade!
a fé deve brotar do coração
Não de uma autoridade!”

A multidão o corpo carregou
Do reverendo que fora varado;
Um cortejo imenso se formou
Para ver o poder humilhado.

Mas não se sabe, quem,
De repente acionou a viatura
Que levou Zequinha também
Usando de grande tortura.

Vinte anos cumpriu Zequinha
Na cadeia da capital.
Foi visto com vida de manhãzinha
No último dia de Natal.



Aracati-Ce, 25 de novembro de 2005.


André Breton
André Breton
Enviado por André Breton em 27/11/2006
Código do texto: T302623

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Sobre o autor
André Breton
Aracati - Ceará - Brasil, 31 anos
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