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Velhos amigos

Pedro, grande contador de estórias,  causos e quetais; e ainda, profundo conhecedor das vidas alheias estava falando daquela que passou a ser o centro das atenções dos homens da Vila Allegro.

Desde que se mudara para o antigo casarão do falecido Padre Eustaquio, todos se interessaram pela vida daquela jovem senhora. Aparentava ter uns trinta anos bem cuidados, isso é o que falava D. Carlota, “expert” em idades, conflitos conjugais e dividas patrimoniais. Pois com aquela pele lisa, pernas torneadas e cabelos lisos e brilhantes não parecia ter mais de vinte e cinco.

Pedro começou a narrativa no momento em que a moça, e não damos o nome porque não o temos, e se o tivéssemos, por respeito ou discreção deveríamos omiti-lo, fica assim combinado, que a trataremos por moça; Chegou em casa no final da tarde. Parecia exausta coitada. Voltava da cidade, com certeza foi acertar os papéis do falecido.
Não mencionamos?  A jovem e linda senhora era viúva. Na semana anterior, bem no dia que se mudaram para o casarão, o velho empresário, exausto pela mudança, estressado com a empresa ou preocupado com os dotes de sua jovem esposa, ou ainda um pouco de tudo isso,  sucumbiu, e já foi tarde...

Pedro afirmava que a viúva fora à cidade cuidar do inventário pois de alguma maneira suas vestes a denunciavam. Saia apertada,  pouco abaixo dos joelhos com uma fenda que subia uns 20 centímetros. Isso sem considerar a imaginação que fazia a fenda subir outros dez, no mínimo. A saia azul marinho fazia conjunto com o tailleur e contrastava com a camisa branca e seus babados. A sandália de salto alto e as meias-calças completavam o ar de elegância que se misturava com uma sensualidade que parece ter nascido com ela. A pasta executiva e o coque em seus cabelos confirmavam: Foi tratar de negócios. E que negócios uma moça, viúva como aquela poderia ter? A herança do falecido ,é lógico.

Ao chegar em casa depois daquele longo dia, a viúva foi deixando as sandálias pelo caminho, o casaco no espaldar da cadeira da lareira e sem tirar os olhos dele pensou: “depois do banho”.
Ele imóvel, impassível, não tinha outra opção senão aguarda-la. Ainda na sala tirou a camisa e caminhou até o banheiro. Tinha um pensamento fixo. Acabado o banho, apenas com a toalha amarrada, se jogaria sobre ele e se entregaria por toda a noite.
Lembrou-se que  o falecido não o queria por perto.  Mas o falecido não estava mais por lá , ou estava?

Quinze minutos de um relaxante banho sem tirar os pensamentos dele. Passou a toalha por seu corpo úmido, enrolando-a nos cabelos. Passou suavemente seu creme hidratante preferido por todo o corpo, num ritual de profunda beleza e seu suave perfume invadiu a sala.

Então, finalmente saiu do banheiro em direção de seu objeto de desejo. No caminho colocou uma dose de uísque no copo previamente preparado e ao chegar perto dele, tropeçou no tapete e deixou respingar um pouco de uísque no braço daquele que a esperava . Com olhar de uma gueixa, enrolada em sua toalha,, como que se desculpando pelo ato desastrado lambeu delicadamente o braço secando o uísque mas deixando um pouco de sua saliva. Seu companheiro desde o tempo de solteira... novamente ali, só para ela.

Ele continuava imóvel aguardando que ela se jogasse..e finalmente aconteceu. Depois de mais um gole, deixou delicadamente o copo sobre a mesa e deixou seu corpo cair sobre ele, seu velho e confortável sofá.
Edson Montemor
Enviado por Edson Montemor em 29/11/2006
Reeditado em 13/01/2013
Código do texto: T304716
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edson Montemor
Rio Claro - São Paulo - Brasil, 53 anos
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Edson Montemor