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Onze avos de mim

...


eu caminho entre as vozes dos demônios
e me ponho
no lugar de pobre fadigado
e sem sonhos
que se os tenho não me lembro
e se me lembro
não os tenho
como algo preciso
que eu precise para a vida,
pois são abismos e vultos
soltos
no ar
é como a imagem do mar
negro
com gosto de fel
carregando no fundo a moça do bordel
morta
que me deu onze minutos de prazer
e me partiu em onze pedaços de mim
sendo que eu sou agora onze avos do que eu era antes
quando eu ainda tinha onze anos
e não sabia
que necessário seria
comprar amor nas casas da esquina...


eu caminho entre almas depenadas e penadas
que outrora carregavam
o arrependimento
eram felizes, pecadores e amavam
as pessoas
a vida
e até o sofrer
que hoje ainda amam-no pois nada podem fazer
a não ser,
sentirem desprezo
pela vida
que levaram sem o pecado vencer


eu caminho
errantemente mas vivo
e uivo
um lamento aos céus
e imploro
uma redenção
que me tire dos zumbis
e me coloque na trilha dos anjos
onde eu possa
ser  querubim
e não onze avos de mim
Vagner Pitta
Enviado por Vagner Pitta em 01/12/2006
Reeditado em 01/12/2006
Código do texto: T306621
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Sobre o autor
Vagner Pitta
Francisco Morato - São Paulo - Brasil, 34 anos
6 textos (204 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 04:14)
Vagner Pitta