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Meu velho pai e seu inseparavel guarda chuva

                 Prosa mineira

Meu velho pai e seu inseparável guarda chuva.

Chiii!! O dia amanheceu chuvoso...

Olhei pela fresta da janela do quarto, e notei que as luzes da rua permaneciam acesas, dei um longo suspiro, tomei coragem, lavei o rosto e me aprontei rapidamente para o trabalho.

   Tomei um xícara de café, peguei um pedaço de pão com manteiga, e me pus a  procurar por um guarda chuva... mexe daqui, revira de lá, e nada. Porque será que justamente quando está chovendo, a gente nunca se lembra de onde guardou o  guarda chuva?

Depois de revirar a casa inteira, encontrei jogado no fundo de uma gaveta um velho guarda chuva que pertenceu ao meu pai, deixado ali por ele por esquecimento,ou não., o fato é que como não havia mais tempo e eu já estava atrasado para o serviço, peguei aquele guarda chuva mesmo e sai apressado.

Chovia mais dentro dele do que fora, sem falar na vergonha que eu sentia, pois a cada vento o guarda chuva virava ao avesso provocando  riso em todos que passavam por mim.

Finalmente depois de uma espera de 40 minutos o ônibus chegou..lotado como sempre...èh fazer o que!

Enquanto eu me apertava em meio a outros apertados, pensava: ainda bem que são por poucos pontos, logo estarei confortável em um trem do metro”.

Finalmente entre empurrões e xingamentos, chegamos a estação do metro. Sabe que eu até esqueci da raiva que vinha sentindo do velho guarda chuva? Agora sim, já bem acomodado no interior do trem pude me refazer do empurra, empurra  do ônibus.

Ajeitei-me. Ao meu lado o velho guarda chuva, eu olhava para ele e imaginava o que faria com ele quando chegasse ao meu destino, provavelmente ele iria para o lixo.  Estava enganado.

Eu já estava quase dormindo com o balanço do metro quando um jovem tocou meu ombro, eu olhei para ele assustado, ele abriu um largo sorriso, usava o uniforme dos metroviários.

Cumprimentou-me sorridente, eu me esforçava para lembrar de onde o conhecia, sua fisionomia não me era estranha mas tomando o metro por quase dez anos a gente acaba conhecendo todos que trabalham ali, e entre funcionários, seguranças, e bilheteiros eu conhecia a quase todos, uns vem outros vão, mudam de linha aposentam-se em fim, mas aquele jovem não me  vinha a memória.

O rapaz notou que eu não estava me lembrando e adiantou-se a se apresentar.

 – Oi como vai? Não está se lembrando de mim, eu sou o Jorge da estação Sé, dos achados e perdidos. Lembra-se? Como vai seu pai, ele ainda tem aquele velho guarda chuva?

Fiquei sem saber o que dizer, rapidamente o ocorrido veio a minha memória, lembrei-me então do rapaz, agora um pouco mais velho, minha surpresa era como ele se lembrara de mim em meio a milhões de usuários que se utilizam do metro todos os dias, pois já havia se passado quatro anos do acontecido.

 – Jorge? Sim, agora eu me lembro, como vai? Você  perguntou pelo meu pai, ele faleceu há dois anos atrás .
 – Puxa que pena, eu sinto muito. Sabe que eu ainda me lembro da historia que ele me contou sobre o seu velho guarda chuva.
 –  Éh..papai era mesmo uma pessoa marcante na  sua simplicidade aos noventa anos de idade ele cativou a todos que o conheceram, quanto ao guarda chuva em questão, esta bem aqui, eu o herdei, de papai.

O rapaz sorriu, despediu-se e desceu, enquanto ele se afastava, minha memória me levava de volta há quatro anos atrás.

“Em meados de Agosto minha irmã Domitila, tratada carinhosamente por todos de Dondinha, escreveu-me pedindo pra buscar meu pai para fazer uns exames e um tratamento aqui em São Paulo,pois na pequena cidade de Três Rios interior de Minas gerais não havia os recursos necessários para o  seu tratamento.

Meu pai Senhor Virgilio nunca havia saído de sua cidadezinha, aos oitenta e oito anos de idade , viúvo duas vezes e pai de nove filhos, ele passou sua vida toda entre galinhas, porcos e plantações.

Trabalhador de roça criou seus nove filhos so com o emprego da enxada, coisa que ele se orgulhava muito. Depois de criados cada um de seus filhos foram se casando e  indo embora, so ficando minha irmã Dondinha e meu irmão João, o mais novo.

Juntei umas poucas economias, pedi uns dias de afastamento no serviço e fui buscar meu pai que eu não via pra mais de anos.

Agora já mais velho e com pouca visão ele mal saia pra papiar com os amigos, mas a memória continuava jovem, ele se lembrava do nome dos nove filhos, começando do mais velho até o caçula, sabia o apelido de cada um, e contava cheio de orgulho o nascimento de de um por um.

Poucos eram os que vinham vê-lo, como eu por exemplo, mas ele pedia a Dondinha para ler e reler as cartas enviadas pelos filhos com as fotos dos netos e bisnetos que ele nunca chegou a conhecer.
Meu pai se recusava a sair de sua cidade para se tratar em São Paulo,foi duro convencê-lo, depois de esgotados todos os argumentos me fingi de bravo, ameacei vir embora e elê que se danasse, mas depois que não  me culpasse se a sua saúde viesse a piorar.

Ele calou-se, franziu as brancas sobrancelhas, pensou um pouco e depois concordou em viajar, desde que Dondinha prometesse cuidar da horta e de seus animais, até ele voltar.

Minha irmã colocava algumas peças de roupas em uma velha mala, enquanto meu pai revirava a casa toda atrás de um guarda chuva. Resmungando ele procurava de um lado o que certamente ele mesmo havia guardado do outro.

 –  Onde você guardou meu guarda chuva Dondinha?
 –   No quarto pai, onde o senhor costuma guardar, na  ultima gaveta da camiseira.

Pela sua aflição em encontrar o tal guarda chuva, eu esperava ver um guarda chuva de cabo de madrepérolas, tecido inglês, ou coisa assim, mas para minha surpresa só o que vi sair da gaveta da camiseira foi um velho guarda chuva preto, com algumas varetas quebradas, o pano velho e surrado.

– Pra que isto pai? Larga este guarda chuva nem está chovendo e se chover eu compro um novinho pro senhor.

 –  Ocê nem me fala isto menino, este guarda chuva é insubstituível,
ele tem uma historia sabia?

Eu não insisti mais, peguei a mala e uma sacola com algumas iguarias que minha irmã havia preparado para comermos na viagem me despedi de todos e sai porta a fora, meu pai com seu velho paletó xadres que ele so usava para ir a missa aos domingo, seu chapéu de feltro e seu guarda chuva no braço acompanhou-me.

–  A sua benção meu pai, vá com Deus, pode ficar sossegado que eu cuido de tudo por aqui.

Dondinha tentava disfarçar as lagrimas enxugando os olhos no velho avental sujo de ovo.

Durante nossa caminhada até a rodoviária, meu pai se despediu da metade da cidade., que era composta por quatro ruas, uma praça, uma rodoviária, um posto medico, e a igreja matriz de Nossa senhora da anunciação..ah..sem esquecer do velho coreto é claro. Meu pai conhecia a todos ali e era conhecido por todos.

 –  Até mais cumpadi Venâncio, eu vou com meu fio pra capitar, faze arguns ixames, nois vamo de trem porque a capitar fica longe daqui, toda vida.

Durante a viagem meu pai contou-me toda a sua vida depois da minha partida para São Paulo, quando eu tinha vinte e dois anos, e isto já faz tempo, e entre um cochilo e outro, ele perguntava pelo trem, ele queria muito andar de trem.

 – Lá na capitar tem trem fio?
 – Claro pai, São Paulo, tem hoje uma das maiores redes ferroviárias do país, com trens rápidos e confortáveis,sem falar no metro que já opera a mais de vinte e  sete anos levando e trazendo pessoas de todos os lugares, o senhor vai ver que beleza, nós vamos andar de metro quando chegarmos na capital...Pai?..Pai? chiii!  dormiu de novo .

Ele dormia e eu o observava. Seu rosto calmo quase sem rugas, apesar da idade os cabelos brancos, a pele queimada pelo sol das Gerais,as mãos calejadas pela enxada, descendente de  imigrantes Italianos, ele era forte como o europeu e corajoso como o brasileiro.

A viagem até São Paulo demorou 8 horas, com algumas paradas em cidades diferentes para um rápido descanso e o tradicional cafezinho. O  ônibus era um carro leito muito confortável, diferente da velha jardineira do meu tempo de criança.

Meu pai acordava de hora em hora, e como uma criança ansiosa para chegar perguntava:

– Já chegamo na capitar fio? É agora que nois vamo anda de trem?
–  Ainda não pai, mas falta pouco. Porque o senhor não coloca este guarda chuva junto com as outras bagagens pai?
 – Porque não quero corre os risco de esquece ele aqui, oce sabe como foi que eu ganhei este guarda chuva fio?
 – Nem imagino pai.... “e ele me contou”

–  Foi numa caçada que eu mais o cumpade Chico rebeirinha fizemo há muito tempo atrás. Eu mais ele fumo caça capivara lá pras bandas do açude, mais quando nois cheguemo lá já era de tardezinha e as capivaras já tinham se recolhido, e em vez de capivara nois se deparemo foi com uma baita onça pintada que andava rondando as fazendas vizinhas. O cumpade Chico ficou com tanto medo que cumeço a dar tiro pra todos os lados acertando no que via e no que não via, só não acertou a onça. A bandida da onça se embrenhou no mato e ficou de tocai, eu e o cumpade Chico montemo guarda a noite toda, de repente cumeçou a chove  o cumpade tinha levado este guarda chuva que mar dava pra cubri um que dirá dois. Enquanto eu brigava com o cumpadi pra ver com quem ficava o guarda chuva, a esperta da onça foi se chegando de mansinho, e nois não vimo, quando o cumpade se deu conta começou a percurar a espingarda mais a tremedeira era tanta, que nem eu nem ele conseguimo achar. Foi quando o cumpade se vendo em desespero grito:
 – É corre ou morre ...corre cumpade Virgilio....

Mas eu não conseguia me mexer, as perna não saiam do lugar e a onça vinha se chegando., se chegando, e quando ela chegou bem perto..eu sortei um berro tão grande e dei com o guarda chuva na cabeça dela..a bicha saiu numa disparada só, não sei se foi por causa do berro ou da pancada so sei que ela ta correndo até agora, e o cumpade Chico também.. e eu fiquei com o guarda chuva como trofer...sabe fio este guarda chuva e o tar que espantou a onça pintada..não querdita? Pode pergunta pro cumpade Chico.

Eu não me atreveria a perguntar pro tal compadre Chico, mesmo porque um compadre nunca iria desmentir o outro, muito pelo contrario iria acrescentar mais alguns detalhes a esta tal prosa mineira.

Eu não sei se isto foi verdade ou mentira, so sei que meu pai agitou muita gente por causa deste guarda chuva.

Quando chegamos a São Paulo, meu velho pai olhava tudo assustado e surpreso, ele nunca tinha visto uma cidade tão grande como esta, ele ficou exatamente como eu fiquei quando cheguei aqui, encantado, e olha que naquele tempo São Paulo não era tão grande como é agora. Descemos na rodoviária, meu pai nunca tinha visto tanta gente indo e vindo ao mesmo tempo.

 – Pra onde vai tanta gente assim fio?
 – Pra todas as  partes do Brasil pai. Daqui saem ônibus para todas as partes do pais, norte, nordeste, sul, são linhas que não acabam mais.  Vem  pai, vamos pegar o metro.

 –  Então este é o tar de trem paulista? Que chique heim? Mais por onde é que ele sorta fumaça fio?

 –  Ele não solta fumaça pai, o metro é um trem movido a energia elétrica .

 –  E isto quer dize o que fio?

 –  Quer dizer que o metro além de ser mais rápido e mais seguro não causa poluição ao meio ambiente, alem de diminuir o congestionamento e acidentes de transito, o metro transporta milhões  de usuários todos os dias, operando ininterruptamente das quatro horas da manhã, até a meia noite.

Entramos no trem. Meu pai na sua simplicidade cumprimentava á todos como se já os conhecesse a muito tempo. Gentilmente um rapaz cedeu-lhe o lugar, papai e seu guarda chuva desfrutavam de cada palmo do metro, olhando  tudo cuidadosamente.

Quando o trem entrou  na parte subterrânea, papai levantou-se rapidamente agarrou em meu braço e assustado me perguntou:

– Apagaram a luz fio? Cadê a cidade? Porque sumiu tudo de repente?
– Calma pai, pode se sentar e ficar calmo nós estamos embaixo da terra o metro é um trem subterrâneo.
– Vige Maria, que coisa de doido sô...e eu que pensei que fosse so minhoca que andava debaixo da terra mas trem não. Eu quero desce desse bicho manda o maquinista para que eu quero desce.

 – Calma pai, que coisa mais feia, ta todo mundo olhando pra nós até parece caipira do mato que nunca viu um trem antes.

 – Uai!! Caipira eu so memo e do mato também, trem eu  já vi sim senho mas este bicho que anda debaixo da terra e não sorta fumaça eu nunca vi não senho...eu quero desce.

Meu pai fez tanto escândalo que chamou a atenção de todos no metro, nós descemos na estação Sé, e eu não tive coragem de olhar para traz de tanta vergonha. Nós tínhamos que fazer a baldeação e pegar o metro sentido contrario ou seja Itaquera, mas papai sentou-se na cadeira e se recusou a entrar novamente em outro trem.
Papai deixou o metro tão rápido que esqueceu seu precioso guarda chuva, enquanto eu com toda paciência tentava convencê-lo a tomar o outro trem, ele deu por falta do bendito guarda chuva, e ai é que a coisa ficou pior.

– Onde foi para o meu guarda chuva fio? Aquele bicho foi embora e  levou  o meu guarda chuva, e eu quero ele de vorta, vai busca.

 – Pai pelo amor de Deus, esquece este maldito guarda chuva,  já esta tarde e nós temos que tomar o outro trem para irmos pra casa, olha amanhã eu volto aqui e procuro o seu guarda chuva ta bom?
     
– Dexa de besteragem menino, eu não arredo pé daqui sem o meu guarda chuva e  não vo entra naquele trem de novo ta ovindo?

Papai fez um escândalo tão grande que mais uma vez fomos alvo da atenção de todos. Uma senhora aproximou-se de nós e perguntou o que estava acontecendo, se ele não estava passando bem.
– Não senhora, está tudo bem, meu pai esta apenas cansado, fizemos uma longa viagem e ele está um pouco nervoso...só isto, obrigada.

– Nervoso uma pinóia, eu  até que to Carmo, nervoso eu vo fica se oce não for busca meu guarda chuva de vorta.

A senhora sugeriu que eu chamasse  um funcionário do metro, pois eles estão habilitados  para cuidar de situações que exijam calma e paciência.

Em poucos minutos aproximou-se do nós um jovem sorridente, ele abaixou, tomou a mão de papai e apresentou-se:
– Olá meu nome é Jorge, eu sou funcionário do metro e estou aqui para ajuda-lo no que for preciso.. O senhor não quer me contar o que esta acontecendo?

– O negocio é o seguinte meu fio..aquele  seu trem  foi embora e levou o meu guarda chuva que é uma coisa de grande preciosidade pra mim, e eu não saio daqui sem ele.

O rapaz pacientemente explicou a papai que todos os trens do metro vão para um terminal de desembarque no final das viagens e todos os objetos esquecidos em seu interior são recolhidos, etiquetados e enviados para a seção de achados e perdidos que fica ali na estação Sé, assim que o guarda chuva de papai fosse encontrado com certeza seria enviado para o departamento de achados e perdidos, Jorge pediu a mim que passasse no dia seguinte para fazer o reconhecimento do dito guarda chuva . Papai retrucou dizendo:

– E se alguem acha meu guarda chuva antes do oce menino, e leva ele embora?
– Pai quem vai querer um guarda chuva velho e quebrado?

Com muita paciência Jorge convenceu papai a entrar novamente no trem prometendo a ele que iria guardar pessoalmente o seu guarda chuva , muito contra vontade papai entrou no trem conduzido pela mão do jovem funcionário que ele chamava agora de “o menino do trem”.

Chegamos em casa.  Papai mal olhou a casa e nem se quer deu atenção a minha esposa, sua nora, seu único pensamento era encontrar o bendito guarda chuva.

Assim que amanheceu o dia papai estava em pé ao lado de minha cama, mal abri os olhos e lá estava ele me dizendo:

–  levanta daí fio e vamo busca o meu guarda chuva.
Olhei o relógio, eram cinco horas da manhã, eu tive que mentir para ele dizendo que o metro so começava a funcionar depois  das dez horas da manhã, o que não é verdade, consegui acalma-lo, mas as dez horas em ponto, ele  levantou-se da cadeira, colocou seu chapéu e eu não tive como escapar..  lá fomos nós para a estação Sé buscar o maldito guarda chuva. Quando chegamos procurei por Jorge, que atendeu-nos prontamente, e conduziu papai até a sala de achados e perdidos para reconhecer o guarda chuva.

Alguns minutos depois papai retornava sorridente, trazendo em seu braço o seu precioso guarda chuva. Vinha caminhando calmamente apoiado ao braço de Jorge como se ele fosse um de seus filhos, contando a ele uma de suas famosas historias, provavelmente a sua preferida, como ele conseguiu espantar a onça pintada com o seu bravo guarda chuva.

Eu agradeci a paciência do funcionário e me desculpei pelo transtorno causado, Jorge sorriu e finalizou o assunto com uma frase que define bem o espírito dos funcionários do metro..” não há o que desculpar senhor, o bem estar de nossos usuários é a meta primordial de nossa companhia”

Finalizando..papai fez seus exames e eu o levei de volta a sua cidadezinha,mas antes de ir embora ele quis andar mais uma vez de trem, e eu o levei até a casa de meu irmão Valdemar,  em São Miguel Paulista..mas desta vez fomos de trem de verdade, aquele que anda em cima da terra, mesmo assim papai não se conformava em não ver a fumaça do trem.

Com um sorriso gratificante no rosto, ele olhava tudo pela janela, e dizia..” Etá trem Bão”..

Quando voltei de Minas, minha esposa arrumado a casa encontrou em baixo do colchão, o velho guarda chuva que ele havia esquecido, pensei em mandar para ele, mas acho que talvez ele quisesse mesmo que ficasse comigo de lembrança. Papai com certeza teve muita historia para contar para seus amigos sobre os trens da capital que anda debaixo da terra e não solta fumaça.

Papai faleceu dois anos depois de uremia, mas eu sei que ele foi feliz, que fez tudo que gostava até mesmo andar de trem.
E por coincidência ou não, hoje ele faria noventa e dois anos se estivesse vivo, e por coincidência ou não, exatamente hoje nós nos reencontramos os três no trem do metro, eu, Jorge e o velho guarda chuva.

“ É papai acho que seu velho guarda chuva vai ficar guardado para sempre, pois foi a única herança que o senhor me deixou” quem sabe ele ainda tenha alguma serventia, vai que apareça alguma onça pintada por ai, não é mesmo? Nunca se sabe.....

               ETÁ TREM BÃO SÔ

Conto registrado na Biblioteca Nacional em 2004
Rusth
Enviado por Rusth em 02/12/2006
Código do texto: T307888
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