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Fogo Negro

Sinto esse fogo,
Me consumindo,
É algo imperioso,
Que se faz frio.

Uma chama negra,
Feito fumaça espessa,
O ânimo ela arrefecera,
Tudo se torna mera besteira.

Cresce e arde sem se conter,
Desliza por dentro do corpo,
Um fel venenoso a escorrer,
Me faz sentir vivo estando morto.

A brasa é gélida,
Faz tremer as entranhas,
Parece amarga pilhéria,
A depressão assanha.

Esse não é de Prometeu,
Talvez seja o castigo por ele recebido,
Dentro de mim ele nasceu,
Me consome todo, não apenas o fígado.

Os olhos revelam o negrume,
Opacas jabuticabas orbitais,
Em frente ao espelho em triste lume,
Labaredas de saltos infernais.

Me intoxico com essa bebida escura,
Embriagado de sombras cancerosas,
Metástases espalham com desenvoltura,
Sou contaminado de forma asquerosa.

As células aderem ao estranho,
Não sei mais se estou absorvendo,
Ou expelindo esse atroz espanto,
Assim vou aos poucos sobremorrendo.

A língua feito de Chow-chow, só que preta,
Nego as cores me fazendo de antítese luminosa,
O rosto é uma macabra persona em careta,
Na essência, aniquila-se a alma de forma silenciosa.

Apodreço sem me demonstra putrefato,
Mas já sinto a fragrância da carne malcheirosa,
Ranço indigesto que me faz deteriorado,
Objeto abjeto de uma animosidade indecorosa.

Não é Hefesto quem bate o martelo dentro de mim,
Mas Mephistopheles que dá murros e urros,
Agonia que mesmo por um segundo parece não ter fim,
Condenado e enclausurado solto deprimente sussurro.

A lava escorre se fazendo larva,
Metamorfose misantrópica,
Com seu próprio sabor engasga,
Cria uma incontável história.

Sua urina é feito um vinho,
Não dionisíaco por certo,
Apenas causa leva alívio,
Adia a ida para o cemitério.

Embora tenha um interior tumular,
Seus órgãos são gavetas de um necrotério,
Guarda cadáveres num pestilento lar,
Se fazendo de tragicômico despautério.

Suas feridas são pra dentro,
Não mostram na superfície as pústulas,
Introspectivo esse tumor violento,
Uma estética de beleza através da feiúra.

As queimaduras deste fogo maldito,
 Vão além dos 1º, 2º, 3º graus,
Atingem o espírito do pobre indivíduo,
Uma angústia deveras descomunal.
Bruno Azevedo
Enviado por Bruno Azevedo em 11/08/2011
Código do texto: T3152825
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Bruno Azevedo
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil, 37 anos
1223 textos (61454 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/08/17 08:31)
Bruno Azevedo