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Poesia do cimento

Veio do cimento ao cimento voltarás.

É a sua algema, pois o seu muro te prende.

Cimento mente; revela entre quatro paredes.

Gosta do escarro e das fezes no esgoto.

Se fantasia de caminho; cruz, santo, busto.

É lembrança, é cola; caixa d'água.

Não escolhe sua raça; igreja, presídio, hospital.

Nobre, cofre, sarjeta de rua.

É concreto é alicerce, mas na fraqueza do sentimento a implosão ganha espaço.

É humano, é braço, perna e bunda.

Letra, palavra; é emblema é foto.

Reciclagem, lei, pó; coração empedernido, sufocado.

Desenho de criança.

Trabalho do pedreiro, água, areia, pó, calos das mãos; dinheiro minguado.

Calçada de rico que dá pra fazer casa de pobre.

Banco da praça onde começou o namoro; hoje dorme um mendigo.

Nome da cidade, ponte da cidade, é toda a cidade, é toda cidade.

Tem cheiro e é curioso de ser visto manipulado.

É invenção humana, é perfeito.

Tem receita. Regra. Exceção.

É cinza; cinzas.

Maternidade, escola, túmulo; paraíso.

Que besteira, que bobagem. Ainda bem que computador não é cimento, eu paro de escrever, eu deleto e pronto.
Rafael Luciano de Lucas
Enviado por Rafael Luciano de Lucas em 21/07/2005
Código do texto: T36473
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Sobre o autor
Rafael Luciano de Lucas
Barretos - São Paulo - Brasil, 47 anos
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