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Toma lá dá cá

A desenvoltura política e cultural em 50 anos, misturou-se numa massa de atrapalhadas, escândalos e besteirol.
Em setembro de 2003, produzi um texto em que apliquei uma mistureba nessa massa, onde, no cenário político e cultural, nas letras dos versos, desfilam:
O homem da capa preta, o Deputado Tenório Cavalcanti, que não primava pelo bom senso e exibia um folclore político, aparecendo em público portando uma metralhadora, apelidada de Lurdinha.
O Presidente de 61, Jânio Quadros, que comunicava-se com ministros e assessores por meio de bilhetes até que, alegou que a pressão de forças terríveis obrigaram a renunciar.
A aparente salvação veio como se fosse BHC, um defensivo agricola muito utelizado na época, a junta militar criou o  bipartidarismo, Arena e MDB.
Nomes de animais encadeirados confortavelmente no congresso, assistiam os efeitos e os recados do milagre econômico. Aos satisfeitos, prá frente, aos descontentes, ame-o ou deixe-o.
Sujismundo desfilava pelas ruas numa campanha de limpeza publica, enquanto que o povo coroavam um Rei Negro, Pelé, que encantava o povo com seus dribles e gols e, outro Rei, de pele branca, Roberto Carlos, que embalava a juventude com o ritmo iê-iê-iê.  Espantando o fome zero da época, o animador Abelardo Barbosa, balançava a pança e distribuía bacalhau para a platéia.
O empobrecimento cultural vem a se manifestar com força total nas guerras de audiência auferidas pelo ibope, produzidas pelas duas maiores redes de televisão, Roberto Marinho e Silvio Santos.
Por fim, conduzidos pelo reinante continuismo, governos democraticos seguem cumprindo as deritrizes do FMI.
Segue o texto.


Toma lá dá cá
Plínio Sgarbi

curral biônico
siglas eram duas
chafurdavam
pinto cordeiro leão
lobo carneiro leitão

beagacê na saúva
a salvação da lavoura
bilhetes de Quadros
com a lurdinha de Tenório
ame-o ou deixe-o prá frente
sambavam no carnaval
e a massa saudavam
a saúde do bacalhau

um rei de pele negra
oferecia as crianças
seu gol marca mil
outro de pele branca
num solo interno varonil
depois que tudo mais
fosse para o inferno
daria ao seu bem
o céu e o seu amor também

Santos Marinho Ibope
olhos no estreito direito
dados braços esquerdos
com a volta do pleito
Efeagacê da Silva
não amargavam
provar o sabor
do elixir de abacaxi
para descascar
as contas do efeemei
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 07/09/2005
Código do texto: T48455
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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21 áudios (3298 audições)
5 e-livros (510 leituras)
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