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Era uma vez...

(Orelha do livro "Contei poemas", de Flávio Alencar)

Era uma vez um contador de histórias. Histórias de fadas, de amores, divinas histórias. E quis o contador, um dia, pôr música em suas histórias. E a música – como que por toque mágico – apossou-se do contador e mostrou-lhe o caminho do poema. Mas o contador de histórias tinha muito a dizer, e não se contentava em fazer apenas poemas. A poesia de suas histórias aflorava de seus lábios trêmulos, transbordava de seus olhos úmidos, realçando-se nas letras dos poemas, mas procurando liberdade em outras formas. E o ritmo – que o poema exige para sua apresentação – fluiu desses lábios, silenciou nesses olhos-lago, e o contador de histórias deu nova vida aos... poemas-conto (ou contos-poema).
E ele se pôs a alencar – digo – elencar todo um cabedal de formas, a lhes dar novas feições (com seu ritmo intrínseco) e a – correndo atrás das formas de poemas – manter-se em seus contos, em suas narrativas cheias de emoção, plenas de poesia. E fez versos livres, versos bárbaros, heróicos, anapésticos, fez sonetos – até os estrambóticos – e, indo além, fez de contos poemas acabados.
Apareceu um Flávio Alencar (que eu conhecia fazedor de contos e de versos bárbaros) mostrando o ritmo que só ele sabe impor, pondo (e aí eu gosto de frisar) as pausas, as tão importantes pausas que a música belamente utiliza e que são por vezes esquecidas ou relegadas em poemas metrificados e nem sempre ritmados. Apareceu um criador de estilo (talvez apenas seu) que mistura, em doses harmônicas, os vários metros que se apresentam em sua obra.
Mas o fazedor de histórias, ainda preso à forma original de seus contos, e os imbricando aos moldes concretos dos poemas, também fez prosas poéticas, prosas verticais, onde deu aparência de poema e andamento de prosa, deixando ao leitor a análise literal e literária, mas mostrando a poesia – esta, sim, sempre presente em toda a sua obra. Flávio Alencar quis perguntar, e respondeu.
Contei poemas?
Contei poemas.

Paulo Camelo
Da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e da União Brasileira de Escritores.

12-09-2005

Paulo Camelo
Enviado por Paulo Camelo em 30/09/2005
Reeditado em 30/09/2005
Código do texto: T55232
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Camelo
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
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