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Em Brasília não há inocentes, todos são cúmplices.

Texto reescrito, atualizado.

A imprensa desfila como um espelho do mundo, seduzindo anunciantes e protegendo os interesses desses. Tenta vender ao leitor a imagem vista pelos olhos em que se deveria confiar. Trata-se de construir uma versão sobre a realidade, cujo eixo pode até ser a idéia de que não se está construindo nada, mas apenas narrando os fatos, que seja a expressão da vontade de uma fatia dos leitores. E que, em conseqüência, ajude a moldar a opinião desses e, se possível, de muitos outros leitores.
A atual crise e as tantas CPIs oferecem, em especial aqueles que acreditam na imparcialidade e no senso comum, um excelente exemplo sobre como se constrói um, ou melhor, dois espelhos do mundo.
Em pleno século XXI, no país que se regozija de ser uma das 10 principais potências econômicas do ocidente, alguns direitos fundamentais da cidadania ainda são peças de ficção. Liberdade de expressão e imprensa e participação da sociedade na formulação de políticas públicas são bandeiras que os jornalistas e intelectuais precisavam levantar.
Nossa memória é realmente curta e cada vez mais se envolve nas encenações estrategicamente elaboradas daqueles que guardam dossiês e denuncias para serem atiradas, na hora oportuna, no grande ventilador e, convivemos aceitando o sistema: formações de falsos ídolos, idéias; conceitos dos mais diversos inseridos no varejo de frases feitas; e por fim, manipulações de ideais em peças de poder. Nesse campo, sempre haverá platéias para protagonistas formando encenações que levam para um mesmo redundante "continuísmo" da pratica velhaca do oportunismo cada vez mais medíocre, mais redundante.
A imprensa e outros meios de divulgação, são seduzidos pelas conseqüências de uma intencionalidade de tornar o nível crítico menos complexo para atingir cada cada vez mais pessoas.
Nos meios de comunicação, seria de muito mais relevância se também fossem veiculados os questionamentos e as exigibilidades quanto ao resgate aos cofres da Nação de tanto e tanto desvios do dinheiro publico, nosso dinheiro.
Mais de 100 dias de crise desse sistema podre dos parlamentares parlamentando-se, há manifestações na opinião em que deve-se evitar a generalização, que a leitura tem que separar o joio do trigo, difícil. Nunca se viu ou ouviu de um parlamentar, atitudes de exigências que se acabem com tantos benesses, como:  fim do foro privilegiado; fim da impunidade parlamentar; fim dos esquemas e instrumentos oferecidos a escapar de cassação; fim das gordas verbas de gabinetes; estabelecer barreiras ao manejo orçamentários e da elevação de seus salários; etc. Mas, a verdade é que de fato, em Brasília não há inocentes, todos são cúmplices.
De acusado a moralizador? Seja como for, o deputado Roberto Jefferson forneceu gama de informações que, do jeito como está sendo o "espetáculo", querem passar a opinião como "uma surpresa".
O Deputado Roberto Jefferson nada mais fez do que relatar as transações das articulações plantadas, exercidas desde o tempo do Sarney, sabidas e praticadas por todos e todos. Infelizmente, os meios de divulgações, tentam aliviar um pouco as manobras dessa chamada nossa representação, enfatizando as habilidades Teatrais e de Orador do Deputado delator.
Aqui, vale lembrar da então famosa lista oriunda da violação do Painel de Votação da cassação do então Senador Luis Estevão, praticada pelos Senadores ACM e José Roberto Arruda, em 2001. A intenção de uso da tal lista era óbvia. ACM não tinha certeza da cassação do tal do Estevão e usaria a lista posteriormente para chantagens ou para vazar para a imprensa os nomes de seus desafetos que teriam votado a favor de Estevão. (Em Fevereiro de 2001, ACM vaza para a imprensa que, na cassação de Estevão, o sigilo havia sido quebrado e disse que a senadora Heloísa Helena, na época, no PT, teria votado a favor do senador cassado).
ACM sempre usa a pratica de vazar para os amigos da imprensa as informações que lhes são úteis. Um dos motivos da dominação que ACM tem na mídia, é sua capacidade de oferecer informações "exclusivas" e de bastidores aos jornalistas.
Nesse mar de lama, seria muito bem vinda a revelação dessa tal listinha.
Podres lideranças, dos mais variados idéias, estavam lá, transferindo "apoio" ao PT-Lula.
Ah !! mas diziam que os MEIOS justificariam os FINS. Pois bem, os meios apareceram nas denuncias do Dep. Roberto Jefferson, ou será que os fins acabados é que estão aparecendo?
De que adianta esses que estão, outros que tiveram ou aqueles que almejam o Poder estarem inscritos em partidos que levam em suas siglas o "D" de democracia, o "S" do social, o "B" de brasileiros, o "T" dos trabalhadores, o "L" da liberdade? Brasileiro Socialmente preocupado, Livre, Democrático e Trabalhador é quem respeita o povo de seu país, de seu Estado e de sua cidade, enxerga suas carências, suas prioridades e procura fazer com que o dinheiro público seja aplicado democraticamente, isto é, com o povo e para o povo. O processo de incorporação dos partidos repartidos e partidos ao sempre continuísmo e oportunismo, não ocorre somente na compra da consciência com cargos públicos, mas, sobretudo, na formação de redes de negócios que se estabelecem entre corporações privadas, cúpulas partidárias e aparelhos de Estado, com a adesão aberta ou dissimulada das lideranças políticas e dos partidos aos interesses dos diversos segmentos do capital. Banqueiros, industriais, ruralistas, gestores de negócios especulativos, empreiteiros, especuladores imobiliários, publicitários, órgãos de comunicação, enfim, os detentores do poder real, com raízes dentro e fora do país, não encontram obstáculos para cooptar grupos inteiros de situação e oposição. A mercantilização do processo eleitoral facilitou, em muito, esse trabalho.
Achar que tudo isso é uma campanha orquestrada das elites, como dizem os situacionistas, no mínimo, considero como falta do senso critico e também, falta de criatividade em se defender.
E por ai, em que nada se cria, tudo se copia e se repete, vale lembrar os fatos que estão se reprisando nesse país do continuísmo da velhaca prática do oportunismo.
As malas que circulam repletas de dinheiro vivo, originado de fontes obscuras e destinos igualmente sombrios, da corrupção impune do tráfico de influência, da ação inescrupulosa de coletas financeiras em promíscuas relações entre interesses públicos e privados,  vem de longe, de lá dos idos do governo de João Goulart, em que aparecem, o jornalista Samuel Wainer e o advogado Jorge Serpa, como  principais articuladores do sistema de arrecadação para manobras políticas de Jango (Livro: Minha Razão de Viver - Organização e edição de textos: Augusto Nunes - Editora: Planeta).
Meados da década de 1980, Mario Andreazza (preferido de Figueiredo) e Paulo Maluf, disputando cacifes do remendado partidão para ser o nomeado da disputa da última eleição indireta, abriram frentes e fortaleceram a oposição com os oportunistas debandando para o PMDB (o caso mais representativo foi a filiação de José Sarney) que de fato, no Brasil democrático, começaram com a deterioração do país, da presidência, passando por ministérios, governos de Estados e prefeituras.
Um pouco mais a frente, é fato histórico, quando então a coisa começou a cheirar mal no PMDB, outros oportunistas (Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra, Aloísio Nunes e outros) pularam do barco fedendo e criaram o PSDB.
E agora com o enterro do PT que já nasceu póstumo por ter se criado sob o signo do socialismo quando a idéia já seguia em franca decadência no restante do planeta, os oportunistas pregadores das mesmas causas idealistas falecidas, criam e abrigam-se em novos partidos, lançando na tentativa de sobrevivência em cima da confiança (ingênua) da sua massa de seguidores.
E, perante aos holofotes da mídia, surgem mais e mais encenações mostrando que o Brasil não tem Povo, tem Público para tantas CPIs (Conclusões ParaLamentar Incompetência da chamada representação do povo).
Lamentáveis e cansativos espetáculos de horas e horas de depoimentos, exibidos em cadeia nacional, de perguntas e respostas de um jogo das regras de praxe, sabidas e praticados há mais de 20 anos. Do jeito que estão caminhando as formulações de tantas CPIs, é só esperar a pizza, depois virão outras e mais outras e sai mais uma CPIzza de mensarela.
Nas próximas eleições, estaremos acompanhando a volta dos mesmos, dos fugitivos renunciantes que farão uso de slogans para atrair os cativos e até novos seguidores. Slogans como:
Bispo Rodrigues, um servo de deus contra a corrupção; Waldemar da Costa Neto, um político com a cara de Brasil; Severino Cavalcanti, toda uma vida contra o jabá.
E por aí vamos convivendo nesse sistema, colocando nossas mentes a disposição de tantas intelectualices e, perdendo o senso critico e de reflexão e, assim, contribuímos para o sempre eterno (redundante, né !?) continuísmo.
Na minha opinião, nós, cidadãos ordeiros e pacatos pagadores de impostos, devemos sempre estarmos envolvidos numa tentativa de tradução das continuidades e manobras desse processo enraizado ao eterno continuísmo e oportunismos dessas frentes que sempre aparecem. Os modos e os detalhes das corrupções já são e vem moldados desde as convenções partidárias.
Em tudo que vejo rolando nos meios de comunicações, o que falta mesmo é criatividade.
O brasileiro é criativo apenas quando se cria "piadas" (e, como são criativas as piadas. O brasileiro faz piada com qualquer assunto, a política então, fornece um vasto material para os piadistas). Ah!!! como falta criatividade na criação de movimentos. Não digo movimentos como que parecido com o MST ou, como as intermináveis listas tipo, as de luto ou as de vergonha nacional rodando na Net, ou, para tal dia colocarmos um pano verde-amarelo nas janelas; ou para outro dia qualquer, sairmos as ruas vestindo uma roupa preta; para aquele dia não esquecermos de acender uma vela para não sei o que. Mas, falta criatividade na criação de movimentos que gerassem alguma ação que efetivamente objetivasse a mexer com os tentáculos da eterna manobra corrupta dos e daqueles que foram, dos que são, daqueles que não deixaram de ser e daqueles que sempre formam o Poder.
Há 12 meses das Eleições, deveríamos sim, nós, o povo, estarmos envolvidos na elaboração de campanhas através de órgãos de impressa, internet, associações, conselhos profissionais, entidades, igrejas, etc. para um chamamento ao povo para a conscientização desse processo político e, sairmos as ruas conscientes na preparação de ações as quais pudessem resultar em alguma coisa nesse
processo falido.  Oras pois!  pagamos contribuições sindicais, anuidades de conselhos profissionais, doações para associações de bairros, dízimos em igreja e etc. então, devíamos sim estarmos envolvidos, usando essas entidades como um canal para levarmos a massa uma postura de atitude ao enfrentamento desse caótico estado de coisas que estamos convivendo a cada dia. Devíamos sim, estarmos envolvidos em ações que deveria ser plantada na consciência da massa. Assim, dessas ações, poderia germinar outras ações que nos levassem a crescer nas atitudes do exercício de nossa cidadania, conquistando assim, o respeito que merecemos.
Nós, Eleitores somos sabedores das conseqüências do Voto pois, o ato de votar, nessa tal democracia que foi muito mal planejada e está ainda pior na forma pela qual está sendo conduzida, continuará valendo nada vezes nada para o povo, valerá  apenas para mantermos viva essa piada chamada de nossa  representação. O Voto é uma "arma" pela qual alvejamos apenas em nossas testas. Porém, mesmo sabendo o efeito dessa "arma", surgirão sempre uma nova esquerda tentando convencer ser a melhorista, com os mesmos velhos discursos, vendendo esperanças na humanização da política e do trato social nesse estado de coisa que não tem mais conserto. A esperança pode tornar menos difícil suportar o momento presente e aí sempre aparecerão aqueles vendendo oportunisticamente essas esperanças que faz eleitores a se oferecerem a uma sempre e certa servidão voluntária.
Lamentável, a esperança é mais forte que a experiência.
Plínio Sgarbi
Enviado por Plínio Sgarbi em 01/10/2005
Reeditado em 01/10/2005
Código do texto: T55309
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Plínio Sgarbi
Jaú - São Paulo - Brasil, 54 anos
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